Líderes das Américas isolam Lula ao defenderem uso de força contra o crime

Trump reúne aliados contra o narcotráfico; 14 países adotam medidas contra 24 organizações, incluindo PCC e CV

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, expôs uma diferença cada vez mais clara entre a estratégia defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus aliados no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

Enquanto Lula rejeitou a possibilidade de uma atuação militar estrangeira contra facções criminosas e defendeu que o Brasil combata o problema principalmente por meio da cooperação, da inteligência e do bloqueio do dinheiro do crime, Trump apresentou uma resposta mais dura e articulada regionalmente.

O presidente americano afirmou na ONU que os cartéis representam uma ameaça à segurança do Hemisfério Ocidental e defendeu o emprego do poder militar americano quando necessário. Trump também comparou organizações narcotraficantes ao Estado Islâmico e afirmou que seus integrantes deveriam ser mortos, exilados ou presos como combatentes inimigos.

Trump amplia pressão contra o narcotráfico

A ofensiva defendida por Trump ganhou uma dimensão regional com o chamado Escudo das Américas, iniciativa criada para ampliar a cooperação entre países no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.

Em uma reunião realizada à margem da Assembleia Geral da ONU, Estados Unidos e outros 14 países anunciaram a primeira ação conjunta da coalizão contra 24 organizações criminosas classificadas no documento como organizações narcoterroristas transnacionais.

Entre os grupos incluídos estão duas das maiores facções criminosas brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A declaração prevê que os países participantes adotem, de acordo com suas próprias legislações, medidas como congelamento de bens, restrições de vistos e imigração e responsabilização de pessoas que forneçam conscientemente apoio material ou logístico às organizações.

Brasil fica fora da articulação

O Brasil não participou da reunião que resultou na declaração conjunta. Lula e o chanceler Mauro Vieira não estiveram no encontro conduzido por Trump e pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Segundo informações divulgadas após a reunião, o governo brasileiro sequer tinha conhecimento prévio de que PCC e Comando Vermelho seriam incluídos na lista conjunta de 24 organizações.

O episódio colocou o Brasil diante de uma nova articulação regional da qual não faz parte, justamente quando as principais facções criminosas brasileiras passaram a ocupar o centro da estratégia de segurança defendida por Washington e seus aliados.

Lula escolhe outro caminho

No discurso na ONU, Lula defendeu uma estratégia diferente.

O presidente brasileiro afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional para interromper o fluxo de armas e dinheiro utilizado pelas facções, mas rejeitou a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira.

Lula também criticou a atuação de potências estrangeiras na região e reafirmou que o Brasil não deve ser tratado como área de influência de outro país.

A posição brasileira contrasta diretamente com a estratégia apresentada por Trump, que colocou o combate aos cartéis entre as prioridades de segurança dos Estados Unidos e defendeu uma resposta regional mais contundente.

PCC e Comando Vermelho entram no centro da ofensiva

A inclusão do PCC e do Comando Vermelho na declaração do Escudo das Américas representa uma mudança importante no tratamento internacional das duas organizações.

Os Estados Unidos já haviam incluído as facções brasileiras em sua lista de organizações terroristas estrangeiras. Agora, outros 14 países aderiram à iniciativa de tratá-las como uma ameaça compartilhada e anunciaram a intenção de adotar medidas coordenadas.

Na prática, a estratégia amplia a pressão sobre patrimônio, integrantes, apoiadores e estruturas utilizadas pelas organizações criminosas para atuar além das fronteiras nacionais.

Uma resposta mais dura ao crime organizado

A proposta defendida por Trump parte da avaliação de que o narcotráfico não é apenas um problema policial isolado de cada país, mas uma ameaça transnacional que exige uma resposta conjunta.

A Casa Branca pretende fortalecer o compartilhamento de inteligência e a coordenação entre governos aliados, além de utilizar instrumentos financeiros, migratórios e, quando considerado necessário pelo governo americano, recursos militares.

Essa abordagem ganhou apoio de governos latino-americanos que decidiram integrar o Escudo das Américas.

Governo brasileiro destaca Lei Antifacção

Lula, por outro lado, procurou mostrar que o Brasil possui instrumentos próprios para enfrentar as organizações criminosas.

Entre as medidas destacadas pelo governo está a Lei Antifacção, que ampliou punições e criou mecanismos para atingir patrimônio, logística e estruturas financeiras das organizações criminosas.

A estratégia brasileira prioriza o combate às fontes de financiamento e aos chamados grandes operadores econômicos do crime.

Duas visões diferentes para as Américas

O confronto de estratégias ficou evidente durante a Assembleia Geral.

De um lado, Trump lidera uma coalizão que pretende ampliar a pressão contra organizações criminosas transnacionais e defende uma atuação mais agressiva dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.

Do outro, Lula insiste em uma política baseada na soberania nacional, na cooperação internacional e no combate financeiro às organizações criminosas, rejeitando a possibilidade de intervenção militar estrangeira.

O fato é que 14 países decidiram acompanhar a iniciativa liderada por Trump e incluir PCC e Comando Vermelho entre as organizações que serão alvo de medidas coordenadas. O Brasil, entretanto, ficou fora dessa articulação.

A reunião em Nova York, portanto, deixou exposta uma diferença política e estratégica entre Brasília e Washington sobre a forma de enfrentar o narcotráfico. Enquanto Trump busca uma frente regional mais integrada e de resposta dura contra as organizações criminosas, Lula mantém uma linha de atuação centrada na soberania brasileira e na cooperação sem intervenção militar estrangeira.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

Leia mais

Os Heróis do Crimson Tide: uma atitude que foi muito além do basquete

Leite “zero lactose” tem lactose, sim: entenda o que realmente existe dentro da embalagem

Doenças mentais graves estão associadas a uma expectativa de vida até 12 anos menor, aponta estudo

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*