Plenário analisa caso na terça-feira (15) após PF identificar 52 mensagens de Vorcaro e contrato de R$ 131 milhões
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O ministro Alexandre de Moraes deverá pedir a nulidade da investigação que envolve seu nome e será analisada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima terça-feira (15).
O caso ganhou força após a análise, pela Polícia Federal (PF), do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A partir dos dados encontrados no aparelho, o ministro André Mendonça determinou a apuração de possíveis irregularidades envolvendo Moraes.
52 mensagens enviadas a Moraes
De acordo com relatório da Polícia Federal, foram identificadas 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes.
Os registros mostram Vorcaro procurando Moraes durante o período de dificuldades enfrentado pelo Banco Master. Segundo os elementos analisados, o ex-banqueiro teria solicitado ao ministro uma possível intermediação junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Vorcaro também teria procurado Moraes para obter informações sobre o andamento das apurações e demonstrado preocupação com possíveis medidas contra ele e contra o banco.
Em determinado momento, o ex-banqueiro teria mencionado a possibilidade de deixar o país diante das dificuldades enfrentadas.
Pedido de interferência
Um dos principais pontos da investigação é o fato de Vorcaro ter procurado Moraes para pedir uma possível atuação junto a autoridades responsáveis pelas investigações relacionadas ao Banco Master.
As mensagens encontradas pela PF registram os pedidos feitos pelo ex-banqueiro, mas não permitem, por si só, concluir que as solicitações tenham sido atendidas.
Contrato de R$ 131 milhões
Outro elemento analisado pela Polícia Federal envolve um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
A perícia realizada nos dados apreendidos no celular de Vorcaro identificou uma minuta do contrato que teria sido editada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O escritório confirmou que Moraes foi consultado durante a elaboração do contrato e afirmou que a consulta teve como objetivo verificar possíveis impedimentos legais relacionados à contratação e aos processos envolvendo o Banco Master no Supremo.
A banca sustenta que a participação do ministro teve caráter jurídico e não envolveu atuação em favor do banco.
Mensagens de visualização única
Outro ponto mencionado pela Polícia Federal é a forma como Moraes supostamente respondia às mensagens de Vorcaro.
Segundo a investigação, o conteúdo era preparado no Bloco de Notas, transformado em captura de tela e enviado pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
O procedimento dificulta a recuperação posterior das mensagens e fez com que os investigadores não tivessem acesso ao conteúdo das eventuais respostas da mesma forma que tiveram às mensagens enviadas por Vorcaro.
STF deverá analisar o caso
O plenário do Supremo Tribunal Federal deverá analisar o caso na terça-feira (15), em meio à crise envolvendo o Banco Master, documentos da Polícia Federal e os elementos encontrados no celular de Daniel Vorcaro.
A investigação reúne mensagens direcionadas a Moraes, pedidos de intermediação junto a autoridades e informações relacionadas a um contrato de R$ 131 milhões, colocando o ministro no centro da apuração.
A defesa de Moraes contesta as suspeitas e sustenta que os elementos divulgados não comprovam uma atuação irregular do ministro.
Caberá ao STF avaliar se os elementos reunidos são suficientes para justificar o prosseguimento da investigação.
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