Trump prepara ofensiva contra PCC e CV e pode impor novas sanções

EUA intensificam o rastreamento financeiro de pessoas, empresas e instituições relacionadas às organizações criminosas

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão contra o crime organizado brasileiro e avalia uma nova rodada de sanções contra pessoas, empresas e instituições no Brasil que possam ter conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

As possíveis medidas ainda estão em fase de investigação. Segundo autoridades que acompanham o assunto, o governo americano vem há meses ampliando o monitoramento das redes financeiras das duas organizações criminosas, com participação do Departamento do Tesouro, Departamento de Justiça e FBI. 

Trump aumenta pressão contra PCC e Comando Vermelho

A nova movimentação ocorre depois de o governo Trump elevar o tom sobre a atuação das facções brasileiras.

Em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos nesta semana, Trump afirmou que o PCC e o Comando Vermelho representam uma ameaça crescente à segurança internacional e criticou o governo brasileiro por, na avaliação americana, não ter enfrentado suficientemente as organizações.

O presidente americano afirmou ainda que as duas facções transformaram o Brasil em um centro para os fluxos internacionais de cocaína e defendeu que sejam adotadas medidas agressivas para combater e derrotar os grupos. 

A manifestação reforça a estratégia de Washington de tratar o combate às facções não apenas como uma questão brasileira, mas também como um problema de segurança internacional.

Estados Unidos rastreiam dinheiro das facções

Uma das principais frentes da ofensiva americana é financeira.

Investigadores estão acompanhando o caminho de recursos ligados ao PCC e ao CV que circulam pelo sistema financeiro dos Estados Unidos. A partir dessas informações, os órgãos americanos procuram identificar pessoas, empresas e outras estruturas no Brasil que possam estar conectadas às movimentações.

O objetivo é atingir não apenas integrantes das organizações criminosas, mas também redes financeiras e estruturas utilizadas para movimentar ou ocultar recursos.

Caso as investigações encontrem elementos suficientes dentro da legislação americana, novas pessoas ou empresas poderão ser incluídas no sistema de sanções dos Estados Unidos.

PCC e CV já foram classificados pelos EUA como organizações terroristas

A ofensiva de Trump começou antes da atual possibilidade de novas sanções.

Em maio, o governo americano designou o PCC e o Comando Vermelho como Foreign Terrorist Organizations (FTO). A medida entrou oficialmente em vigor em junho e ampliou os instrumentos disponíveis às autoridades americanas contra as organizações e pessoas ou entidades que se enquadrem nas regras de sanções.

A classificação também fortaleceu a atuação financeira de Washington contra as estruturas ligadas às facções.

Primeiras sanções já atingiram brasileiros

Em julho, o Departamento do Tesouro americano, por meio do Office of Foreign Assets Control (OFAC), anunciou sanções contra dois brasileiros e empresas brasileiras e portuguesas apontadas pelos Estados Unidos como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Segundo o Tesouro americano, a investigação identificou uma estrutura que movimentava recursos ilícitos entre São Paulo e a Flórida, utilizando mecanismos financeiros e criptomoedas.

A ação mostrou que Washington já utiliza seu sistema de sanções para atingir financeiramente redes brasileiras ligadas ao crime organizado.

Nova rodada poderá ampliar o alcance da ofensiva

Agora, o foco está em uma possível nova lista de alvos.

As investigações conduzidas por órgãos americanos buscam identificar novas conexões entre o dinheiro das facções que circula nos Estados Unidos e pessoas ou organizações instaladas no Brasil.

Ainda não há uma lista oficial de novos sancionados. As medidas dependerão da conclusão das investigações e de decisões das autoridades americanas.

Se forem anunciadas, as sanções poderão representar mais uma etapa da estratégia de Trump de pressionar financeiramente organizações criminosas que atuam além das fronteiras dos Estados Unidos.

Trump transforma combate às facções em questão internacional

A estratégia americana coloca o combate ao PCC e ao Comando Vermelho dentro de uma agenda mais ampla de segurança internacional.

Para Washington, o problema não se limita ao território brasileiro. As autoridades americanas apontam que as organizações possuem conexões internacionais e utilizam redes financeiras que alcançam outros países.

Por isso, o governo Trump vem combinando investigação criminal, inteligência financeira e sanções econômicas.

A nova rodada de medidas ainda não foi anunciada, mas o movimento de Washington deixa clara a intenção de ampliar a pressão sobre as estruturas financeiras das facções.

Próximos passos

Nas próximas semanas, a atenção estará voltada para o resultado das investigações conduzidas pelo Tesouro americano, Departamento de Justiça e FBI.

A eventual identificação de novos fluxos financeiros ou conexões com pessoas e empresas no Brasil poderá levar a novas medidas de bloqueio e sanções.

Enquanto isso, Trump mantém uma posição pública de cobrança por ações mais duras contra o crime organizado brasileiro.

O cenário coloca o governo americano diante de uma nova etapa de sua estratégia: atingir o dinheiro das facções e suas redes internacionais para enfraquecer a estrutura econômica que sustenta o crime organizado.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

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