Ex-bolsonarista, deputado federal pelo Rio de Janeiro recebeu 19.364 votos, ficou como suplente e encerrou dois mandatos consecutivos na Câmara
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O deputado federal e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ) não conseguiu se reeleger nas eleições de domingo (4). Com 19.364 votos, o parlamentar ficou como suplente e encerrou uma sequência de dois mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados.
Em 2022, Otoni era um dos aliados mais próximos de Jair Bolsonaro, mantendo uma postura de forte oposição a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Naquele ano, durante discurso no plenário da Câmara, chamou Lula de “ladrão” e “vagabundo” e fez uma declaração em tom de ameaça ao reagir à possibilidade de militantes irem à casa de parlamentares.
Na ocasião, Otoni declarou: “No Rio de Janeiro, a gente tem método de tratar bandido. Lá é na bala. Se visitar minha casa vai ser na bala.” Em seguida, também afirmou que não deveriam atravessar a escola de seus filhos, abordar sua mulher ou visitar sua casa, repetindo que a reação seria “na bala”.
Posteriormente, Otoni afirmou ter se arrependido da forma como havia se referido ao petista e disse que poderia ter feito críticas sem utilizar aquele tipo de argumento.
A mudança de posicionamento ocorreu nos anos seguintes. Otoni passou a se distanciar do grupo político ligado a Bolsonaro e, em 2026, declarou apoio à candidatura de Lula à reeleição ainda no primeiro turno.
Na véspera da votação, publicou um vídeo ao lado de Lula e afirmou que havia decidido declarar seu voto ao petista, mesmo sabendo que a decisão poderia provocar consequências políticas.
“Eu fiz oposição muito ferrenha ao senhor, até que eu tive um encontro com a verdade, não com as narrativas de quem era o senhor. O que me faz estar aqui, presidente, é uma decisão que eu tomei de declarar o meu voto ao senhor já neste primeiro turno, embora haja consequências dessa minha decisão, mas a sua eleição, hoje, é fundamental para o nosso país”
Otoni havia sido eleito deputado federal pela primeira vez em 2018 e reeleito em 2022. Antes de chegar à Câmara, também exerceu mandato de vereador no Rio de Janeiro.
De aliado de Bolsonaro a apoiador de Lula
Durante a campanha presidencial de 2026, Otoni declarou que não votaria em Flávio Bolsonaro e defendeu uma aproximação entre setores da direita e Lula diante de uma eventual disputa entre os dois.
Ao comentar o comportamento do eleitorado evangélico, afirmou:
“O movimento evangélico ainda vota em Flávio, mas não com a mesma pressão que votou no pai. Flávio não tem a mesma aderência”
O deputado também passou a defender publicamente que as igrejas não deveriam ser identificadas automaticamente com um determinado campo político.
Fala sobre evangélicos volta a circular
Durante a campanha, um vídeo de Otoni voltou a circular nas redes sociais e ganhou nova repercussão entre o público evangélico. No trecho, o deputado afirma:
“Se nenhum crente votar em mim, macumbeiro vota, até demônio vota”
A declaração voltou a ser compartilhada após a confirmação do resultado das urnas e passou a integrar as discussões nas redes sociais sobre a trajetória política do parlamentar e sua relação com o eleitorado religioso.
O registro localizado é de um vídeo que voltou a circular durante a campanha. Não há, nos materiais consultados, confirmação suficiente para atribuir a fala especificamente a um podcast.
Resultado eleitoral
Além de não conseguir renovar o próprio mandato, Otoni apoiou a candidatura da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) ao Senado. Benedita também não conseguiu uma das vagas destinadas ao Rio de Janeiro.
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