R$ 2 bilhões previstos, só R$ 11 milhões pagos; Minas enfrenta mortos e milhares de desabrigados
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
No auge da temporada de chuvas, quando historicamente aumentam os riscos de enchentes e deslizamentos no país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva executou apenas uma fração mínima do orçamento destinado à prevenção e gestão de desastres climáticos.
Dos quase R$ 2 bilhões autorizados para 2026, somente cerca de R$ 11 milhões haviam sido pagos até 23 de fevereiro, o que representa apenas 0,56% do total previsto. Na prática, isso significa que mais de 99% dos recursos disponíveis ainda não saíram do papel, mesmo diante de um cenário de calamidade em diversos estados brasileiros.
Execução lenta e repetição de falhas
A baixa execução orçamentária não é um fato isolado. Em 2025, o governo pagou apenas 49,4% dos recursos destinados à prevenção e resposta a desastres climáticos, percentual semelhante ao registrado em 2024. Ou seja, o padrão de lentidão na aplicação dos recursos se repete.
A situação também chama atenção no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão responsável por monitorar áreas de risco e emitir alertas antecipados. Dos R$ 19,2 milhões reservados ao centro em 2026, apenas R$ 31 mil haviam sido pagos até este mês — um valor considerado irrisório diante da importância estratégica da instituição.
Especialistas em gestão pública apontam que a falta de execução orçamentária compromete ações como:
• Obras de contenção de encostas
• Drenagem urbana
• Monitoramento de áreas críticas
• Sistemas de alerta precoce
• Capacitação de defesas civis municipais
Sem a liberação efetiva dos recursos, estados e municípios ficam sobrecarregados e dependentes de ações emergenciais, geralmente mais caras e menos eficientes.
Tragédia na Zona da Mata mineira
Enquanto os números da execução orçamentária geram debate em Brasília, Minas Gerais enfrenta uma das piores tragédias recentes provocadas pelas chuvas.
Na região da Zona da Mata, especialmente nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, as precipitações intensas provocaram enchentes, deslizamentos e destruição de infraestrutura urbana.
O número de mortos já chega a dezenas, com ao menos 21 pessoas desaparecidas, segundo autoridades locais. As buscas seguem em pelo menos oito áreas mapeadas como críticas nos dois municípios.
Em Juiz de Fora:
• Cerca de 3 mil pessoas estão desabrigadas
• Outras 400 estão desalojadas
• Bairros inteiros ficaram isolados após o transbordamento de rios
Em Ubá:
• 26 pessoas estão desabrigadas
• 178 desalojadas
• Vias foram interditadas e o acesso a comunidades permanece restrito
Equipes de resgate enfrentam dificuldades devido ao acúmulo de lama, entulho e risco de novos deslizamentos. As chuvas ocorreram após semanas de precipitação acima da média, o que aumentou a saturação do solo e o risco geológico.
Falta de prevenção ou falha de gestão?
A tragédia reacende um debate recorrente no país: o Brasil investe bilhões em resposta emergencial, mas pouco executa em prevenção.
O orçamento autorizado existe. O dinheiro foi reservado. Porém, sem pagamento efetivo, obras estruturais não avançam, projetos não saem do papel e municípios continuam vulneráveis.
Prefeituras afetadas decretaram situação de calamidade pública e aguardam apoio federal. Enquanto isso, o monitoramento do nível dos rios continua, diante da previsão de novas instabilidades climáticas.
Para críticos do governo, os números revelam desorganização administrativa e falta de prioridade na aplicação dos recursos, justamente em um setor que exige planejamento antecipado e ação contínua — não apenas reação após a tragédia instalada.
A conta chega na ponta
Quem paga o preço da lentidão orçamentária são as famílias que perdem casas, comércios e, em muitos casos, entes queridos.
A pergunta que se impõe é direta: se o dinheiro estava previsto, por que não foi aplicado antes das chuvas?
Com a temporada ainda longe do fim, cresce a pressão para que o governo acelere a execução dos recursos e apresente um plano claro de prevenção, sob risco de que novas tragédias se repitam nos próximos meses.
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