Medida aprovada pela Câmara mira algoritmos viciantes, limita acesso por idade e impõe novas regras às plataformas digitais
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Câmara do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, aprovou um projeto de lei que impõe restrições rigorosas ao uso de redes sociais por crianças e adolescentes, em resposta a evidências crescentes sobre impactos negativos na saúde mental e riscos à privacidade. A proposta posiciona a proteção digital como uma questão de saúde pública e amplia a pressão sobre grandes empresas de tecnologia.
Aprovado por 129 votos a 25, o projeto estabelece que menores de 14 anos não poderão acessar redes sociais, enquanto adolescentes de 15 anos precisarão de consentimento dos pais para utilizar essas plataformas.
A legislação também determina mudanças estruturais no funcionamento das redes, com foco em reduzir mecanismos considerados prejudiciais ao bem-estar dos jovens.
Saúde mental no centro do debate
A proposta se baseia em um conjunto crescente de estudos que associam o uso precoce e intensivo de redes sociais a problemas como:
- Ansiedade
- Depressão
- Baixa autoestima
- Distúrbios do sono
Segundo o deputado Ken Gordon, presidente do Comitê de Educação, a medida representa um enfrentamento direto ao modelo das big techs.
“Estamos tratando isso como uma questão de saúde pública, assim como já fizemos com a indústria do tabaco”, afirmou.
Algoritmos e “feeds viciantes” na mira
Um dos pontos mais inovadores do projeto é a restrição a mecanismos digitais projetados para manter usuários conectados por longos períodos.
A proposta proíbe que adolescentes utilizem recursos como:
- Rolagem infinita
- Reprodução automática de vídeos
- Notificações constantes
- Conteúdo personalizado por algoritmos
Esses elementos, segundo especialistas, estimulam comportamentos compulsivos e aumentam o tempo de exposição às telas.
Novas regras para proteger adolescentes
A legislação também exige que plataformas adotem configurações padrão de segurança, priorizando o bem-estar dos usuários mais jovens. Entre as medidas:
- Limitação de mensagens diretas
- Redução da visibilidade de perfis
- Restrições ao compartilhamento de conteúdo
- Bloqueio de notificações entre meia-noite e 6h
Além disso, as plataformas deverão implementar sistemas eficazes de verificação de idade, utilizando tecnologia capaz de identificar com precisão a faixa etária dos usuários.
Privacidade e grupos vulneráveis geram debate
Apesar do avanço, o projeto também levanta preocupações importantes, especialmente em relação à privacidade de dados e à proteção de jovens vulneráveis.
A deputada Erika Uyterhoeven alertou para riscos associados à coleta de informações pessoais:
“Exigir verificação de idade com documentos ou dados biométricos pode abrir espaço para vazamentos inevitáveis”, disse.
Outro ponto sensível envolve adolescentes LGBTQ+, que frequentemente encontram apoio em comunidades online. O texto final inclui salvaguardas para impedir o compartilhamento de dados relacionados à orientação sexual ou outros status protegidos.
Tendência nacional nos Estados Unidos
Caso a medida seja sancionada, Massachusetts se tornará o 18º estado americano a adotar algum tipo de restrição ao acesso de crianças às redes sociais.
Outros estados já implementaram:
- Verificação obrigatória de idade
- Consentimento parental
- Limitações de uso para menores
O movimento reflete uma mudança mais ampla na forma como governos tratam o impacto das plataformas digitais, cada vez mais enquadradas como um tema de saúde pública.
Equilíbrio entre proteção e liberdade digital
A discussão expõe um desafio crescente: como proteger crianças e adolescentes sem comprometer direitos individuais e privacidade.
Enquanto defensores da lei destacam a urgência de agir diante dos impactos na saúde mental, críticos alertam para os riscos de ampliar o controle de dados pelas próprias empresas de tecnologia.
O debate em Massachusetts pode servir de referência para outras regiões do mundo — inclusive o Brasil — à medida que governos buscam regular o ambiente digital e mitigar seus efeitos sobre as novas gerações.
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