Sistemas de saúde da Europa ampliam uso de inteligência artificial e transformam atendimento médico

Relatório da Organização Mundial da Saúde aponta avanço em diagnósticos, cirurgias assistidas e gestão de dados; desafios incluem regulação e compartilhamento seguro de informações
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Os sistemas de saúde da Europa estão passando por uma transformação estrutural impulsionada pelo uso crescente da inteligência artificial (IA), segundo um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento revela que mais da metade dos países da União Europeia já incorporaram tecnologias baseadas em IA em processos clínicos, administrativos e cirúrgicos.

A adoção dessas ferramentas marca uma mudança significativa na forma como diagnósticos são realizados, tratamentos são definidos e dados de pacientes são gerenciados em larga escala.

IA no diagnóstico e na tomada de decisão

De acordo com o relatório, a aplicação mais disseminada da inteligência artificial na saúde europeia está no apoio ao diagnóstico e à decisão clínica. Sistemas baseados em IA já são utilizados para:

  • Detecção precoce de doenças
  • Análise de exames de imagem, como radiografias e ressonâncias
  • Identificação de padrões clínicos complexos
  • Avaliação de riscos e prognósticos

Essas tecnologias permitem maior precisão diagnóstica e reduzem o tempo de resposta no atendimento, especialmente em áreas como oncologia, neurologia e doenças cardiovasculares.

Além disso, ferramentas de IA vêm sendo integradas à chamada medicina personalizada, permitindo tratamentos adaptados ao perfil genético e clínico de cada paciente.

Cirurgias assistidas por inteligência artificial

O relatório também destaca avanços na área cirúrgica. Países como Portugal, França e Espanha já adotam formalmente sistemas de cirurgia assistida por IA, com uso de robótica médica.

Essas tecnologias:

  • Aumentam a precisão dos procedimentos
  • Reduzem riscos operatórios
  • Melhoram o tempo de recuperação dos pacientes

A robótica cirúrgica, aliada à inteligência artificial, permite que médicos realizem intervenções complexas com maior controle e menor margem de erro.

Expansão dos centros de dados de saúde

Outro ponto central do estudo é o crescimento dos centros de dados em saúde, fundamentais para o funcionamento da IA. Esses sistemas armazenam e processam grandes volumes de informações clínicas e administrativas.

Segundo a OMS:

  • 63% dos países da União Europeia já possuem centros nacionais de dados
  • 22% estão em fase de implementação

No caso de Portugal, o sistema já integra dados de:

  • Atenção primária
  • Emergência
  • Internações hospitalares
  • Prescrições médicas
  • Mortalidade
  • Cuidados pediátricos e críticos

O país adota regras rigorosas, restringindo o acesso a pesquisadores do setor público quando se trata de uso secundário dos dados para pesquisa.

Privacidade e desafios regulatórios

Apesar dos avanços, o relatório alerta para desafios importantes. A maioria dos países ainda enfrenta dificuldades na criação de estruturas regulatórias robustas para o compartilhamento seguro de dados de saúde.

Entre os principais obstáculos estão:

  • Falta de padronização entre sistemas nacionais
  • Barreiras legais para intercâmbio de dados
  • Necessidade de garantir anonimização das informações

A anonimização — processo que impede a identificação de pacientes — é atualmente uma das exigências mais comuns para o uso de dados em pesquisas.

A OMS destaca que, sem resolver essas questões, há risco de desenvolvimento de soluções tecnológicas avançadas que não atendam plenamente às necessidades reais dos sistemas de saúde.

Caminho para uma saúde mais eficiente

O levantamento, baseado em dados coletados entre 2024 e 2025, conclui que a Europa está construindo uma base sólida para o uso da inteligência artificial de forma segura, equitativa e responsável.

Entre as principais prioridades apontadas pelos países estão:

  • Melhoria dos resultados clínicos
  • Aumento da eficiência dos sistemas de saúde
  • Aprimoramento da experiência do paciente

A tendência é que o uso da IA continue se expandindo nos próximos anos, consolidando-se como uma ferramenta estratégica para enfrentar desafios como envelhecimento populacional, aumento da demanda por serviços médicos e escassez de profissionais de saúde.

A incorporação da inteligência artificial nos sistemas de saúde europeus já é uma realidade em expansão, com impactos diretos na qualidade do atendimento e na eficiência dos serviços.

No entanto, o sucesso dessa transformação dependerá do equilíbrio entre inovação tecnológica, segurança de dados e regulação adequada — elementos considerados essenciais para garantir benefícios reais à população.

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