Piloto da Polícia Civil morre após ataque de traficantes no Rio

Felipe Marques ficou mais de um ano internado após ser baleado em helicóptero da Core; caso expõe avanço da violência armada

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O policial civil e piloto de helicóptero Felipe Marques Monteiro morreu neste domingo (17), mais de um ano após ser baleado na cabeça durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O agente foi atingido por um disparo de fuzil enquanto participava de uma ação aérea na comunidade Vila Aliança, em Bangu, na zona oeste da capital fluminense.

Felipe integrava a equipe do helicóptero da corporação durante uma operação contra o crime organizado realizada em março de 2025. A ação fazia parte da Operação Torniquete, voltada ao combate de quadrilhas envolvidas em roubos de veículos, desmanche clandestino e atuação de facções criminosas na região.

Durante o sobrevoo da aeronave, criminosos armados abriram fogo contra o helicóptero policial. Um dos disparos atingiu a cabeça do piloto, provocando ferimentos gravíssimos. Mesmo ferido, Felipe ainda conseguiu colaborar para que a aeronave pousasse em segurança, evitando uma tragédia ainda maior com os demais agentes que estavam a bordo.

O policial foi socorrido às pressas e levado inicialmente para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, zona sul do Rio. Médicos constataram que o impacto do tiro destruiu cerca de 40% de seu crânio. O quadro foi considerado extremamente grave desde os primeiros momentos.

A partir dali começou uma longa batalha pela sobrevivência. Felipe passou por diversas cirurgias delicadas, permaneceu internado durante meses e enfrentou um intenso processo de recuperação. Durante parte do tratamento, chegou a ficar em coma e precisou ser submetido a procedimentos neurológicos complexos, incluindo reconstrução craniana.

Após meses de internação, o policial recebeu alta hospitalar e continuou a recuperação em casa, acompanhado pela família e por equipes médicas. O caso mobilizou colegas de corporação, forças de segurança de vários estados e milhares de pessoas nas redes sociais, que acompanharam cada etapa da recuperação do piloto.

Nos últimos meses, porém, o estado de saúde voltou a se agravar. Segundo informações divulgadas pela família, Felipe enfrentou complicações após um procedimento cirúrgico recente relacionado à prótese craniana implantada durante o tratamento. Ele precisou retornar ao hospital, mas não resistiu.

A morte do policial causou forte comoção entre agentes de segurança pública e autoridades do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, a esposa de Felipe, Keidna Marques, publicou uma homenagem emocionada ao marido.

“Um guerreiro do início ao fim. Hoje nos despedimos com dor, mas também com gratidão por toda força, amor e exemplo que deixou em nossas vidas. Seu legado jamais será esquecido”, escreveu.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Polícia Civil divulgaram notas lamentando a morte do agente e prestando solidariedade aos familiares e amigos.

Em um dos trechos da nota oficial, a corporação destacou a luta enfrentada pelo policial desde o atentado sofrido durante a operação:

“Desde então, ele travou uma longa, difícil e corajosa batalha pela vida, marcada pela força, fé e dedicação da família.”

O caso voltou a chamar atenção para o avanço do armamento pesado nas mãos das facções criminosas no Rio de Janeiro. O ataque ao helicóptero policial evidenciou novamente o alto poder de fogo utilizado por criminosos contra agentes do Estado, incluindo armamentos capazes de atingir aeronaves em pleno voo.

Especialistas em segurança pública vêm alertando há anos para o fortalecimento bélico do crime organizado nas comunidades dominadas pelo tráfico. Em diversas operações recentes, policiais passaram a enfrentar criminosos equipados com fuzis de guerra, munições de alto calibre e estruturas fortemente armadas.

A morte de Felipe Marques também reforçou o debate sobre os riscos enfrentados diariamente pelos profissionais das forças de segurança que atuam em áreas controladas pelo crime organizado. Colegas de corporação passaram a prestar homenagens ao piloto, lembrando sua dedicação, coragem e compromisso com a profissão.

As investigações sobre os responsáveis pelos disparos continuam. Parte dos suspeitos já foi identificada pela polícia, mas outros envolvidos seguem sendo procurados pelas autoridades.

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