Ministro do STF restringe acesso de advogados após avanço da delação do dono do Banco Master
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A decisão foi tomada após o entendimento de que Vorcaro já entregou a parte principal de sua delação premiada, deixando de ter direito a tratamento diferenciado dentro da unidade prisional.
Com a decisão, os advogados do dono do Banco Master deixam de ter autorização para visitas em qualquer horário do dia. O benefício havia sido concedido exclusivamente para facilitar a elaboração da colaboração premiada. Agora, segundo o entendimento de Mendonça, não existe mais justificativa para manter regras especiais de acesso.
A mudança representa um novo capítulo da Operação Compliance Zero, investigação que apura supostos esquemas financeiros envolvendo lavagem de dinheiro, movimentações suspeitas e possíveis ramificações empresariais e familiares.
Fim do tratamento especial
Anteriormente, Daniel Vorcaro ocupava uma Sala de Estado-Maior dentro da Superintendência Regional da Polícia Federal do Distrito Federal. Esse tipo de acomodação costuma ser reservado a autoridades ou figuras públicas com prerrogativas específicas.
Ao determinar a transferência para uma cela comum, André Mendonça sinaliza um endurecimento no tratamento dado a investigados com alto poder econômico, afastando críticas sobre privilégios concedidos a empresários influentes.
Antes disso, Vorcaro já havia passado por um alojamento mais simples, separado apenas por uma pequena mureta entre a cama de concreto, o vaso sanitário e o chuveiro.
Nova delação tenta convencer PF e PGR
No último dia 6 de maio, a defesa de Daniel Vorcaro apresentou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. A primeira colaboração havia sido rejeitada por investigadores, que consideraram o conteúdo incompleto e insuficiente para esclarecer os principais pontos da investigação.
A nova proposta teria sido reformulada com informações adicionais, possíveis provas e novos nomes ligados ao esquema investigado.
Nos bastidores, investigadores avaliam que a pressão sobre Vorcaro aumentou após a prisão de seu pai, Henrique Vorcaro, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. A expectativa é de que a colaboração possa revelar detalhes ainda mais profundos sobre o funcionamento do suposto esquema financeiro.
Família de Vorcaro virou foco das negociações
Desde o início das conversas com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, os advogados do ex-banqueiro buscavam garantir imunidade jurídica para familiares próximos, especialmente o pai e a irmã de Daniel Vorcaro.
Investigadores enxergaram resistência da defesa em entregar informações mais amplas sem garantias para familiares, o que acabou travando a primeira proposta de delação premiada.
A preocupação da defesa seria evitar que movimentações financeiras feitas por meio de contas de parentes fossem enquadradas futuramente como lavagem de dinheiro ou ocultação patrimonial.
Operação pode atingir novos nomes
A Operação Compliance Zero vem sendo tratada nos bastidores de Brasília como uma das investigações financeiras mais sensíveis dos últimos anos. Integrantes da Polícia Federal avaliam que a delação de Daniel Vorcaro pode abrir novos caminhos para identificar empresários, operadores financeiros e possíveis conexões políticas relacionadas ao esquema investigado.
Com a nova fase da colaboração premiada, cresce a expectativa sobre quais nomes poderão surgir nos próximos desdobramentos da investigação.
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