Brasil e Angola unem forças contra epidemias transmitidas por mosquitos e alertam avanço global da dengue e zika

Países discutem novas estratégias de prevenção durante Assembleia Mundial da Saúde; mudanças climáticas ampliam risco de surtos em várias regiões do planeta
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

O avanço acelerado de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya, levou Brasil e Angola a reforçarem a cooperação internacional em busca de estratégias mais eficazes para conter epidemias que preocupam autoridades de saúde em todo o mundo. Durante um evento paralelo da 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, representantes dos dois países destacaram os desafios provocados pelas mudanças climáticas, pela urbanização desordenada e pela expansão das áreas de circulação do mosquito Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão dessas doenças.

O encontro reuniu especialistas, autoridades sanitárias e representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para discutir formas de fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar a capacidade de diagnóstico e acelerar respostas diante do crescimento das arboviroses em diferentes continentes.

Segundo dados apresentados durante o evento, 2024 registrou números históricos de dengue no mundo, com mais de 14 milhões de casos notificados à OMS. A região das Américas concentrou mais de 90% das infecções globais, sendo o Brasil responsável por mais de 10 milhões de casos. As autoridades alertam que atualmente cerca de 5,6 bilhões de pessoas vivem em áreas consideradas de risco para doenças transmitidas por mosquitos.

O médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz, Júlio Croda, afirmou que as mudanças climáticas têm ampliado significativamente a presença das arboviroses em locais antes considerados fora da zona de risco.

“Associadas às mudanças climáticas, nós vemos um aumento importante das arboviroses em todo o mundo, afetando regiões geográficas que antes não afetavam”, explicou o especialista durante entrevista à ONU News.

Croda destacou ainda que o cenário exige mais investimentos internacionais para fortalecer sistemas de vigilância e acelerar tecnologias inovadoras de combate ao mosquito transmissor. Entre as iniciativas citadas está o método Wolbachia, estratégia adotada pelo Brasil que consiste na inserção da bactéria Wolbachia no mosquito Aedes aegypti. A bactéria reduz a capacidade do inseto de transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya.

O Brasil foi o primeiro país a incorporar oficialmente a tecnologia como política pública nacional e também liderou a implementação das vacinas disponíveis atualmente contra a dengue.

Representando Angola, a diretora do Instituto Nacional de Investigação em Saúde, Joana Morais, afirmou que o evento permitiu apresentar os desafios enfrentados pelos países africanos no combate às arboviroses, especialmente em regiões onde os sintomas podem ser confundidos com outras doenças febris, como a malária.

Segundo ela, muitos casos continuam subdiagnosticados no continente africano devido à limitação dos sistemas laboratoriais e da vigilância epidemiológica. A especialista ressaltou que o fortalecimento da preparação local depende de três pilares principais: sistemas públicos eficientes de vigilância, capacidade laboratorial de diagnóstico e financiamento sustentável.

Joana Morais alertou ainda que as doenças transmitidas por mosquitos deixaram de ser um problema restrito a determinadas regiões e passaram a representar uma ameaça global de segurança sanitária.

“Fatores como mudanças climáticas, urbanização acelerada, mobilidade populacional e fragilidade dos sistemas de saúde têm contribuído para um aumento significativo do risco e da disseminação dessas doenças”, afirmou.

Durante a Assembleia Mundial da Saúde, os países também discutiram mecanismos de cooperação internacional para ampliar investimentos em controle vetorial, acesso ao diagnóstico e fortalecimento dos sistemas públicos de saúde. Especialistas destacaram que iniciativas internacionais apresentam melhores resultados quando fortalecem estruturas locais já existentes, em vez de criarem programas temporários paralelos.

Além do debate sobre arboviroses, o Brasil recebeu nesta terça-feira um reconhecimento internacional da Organização Mundial da Saúde pela eliminação da transmissão do HIV de mãe para filho. O certificado foi entregue ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante sessão plenária realizada em Genebra.

O país também participa das discussões sobre a Coalizão Global para Produção Local e Regional, iniciativa internacional voltada à ampliação do acesso equitativo a tecnologias em saúde, especialmente em países em desenvolvimento.

A Assembleia Mundial da Saúde segue até sábado reunindo líderes mundiais, pesquisadores e representantes de governos para discutir prioridades globais relacionadas à saúde pública, prevenção de epidemias e fortalecimento dos sistemas sanitários.

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