Ebola avança na África e OMS monitora mais de 900 casos suspeitos da doença

Surto já soma mais de 100 casos confirmados e leva Organização Mundial da Saúde a elevar alerta máximo para risco epidêmico
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha com preocupação o avanço de um novo surto de Ebola na África Central. Segundo dados atualizados pela agência internacional de saúde, mais de 900 casos suspeitos estão sob monitoramento, enquanto 101 infecções já foram confirmadas oficialmente até o momento.

O novo surto foi registrado inicialmente na República Democrática do Congo em 15 de maio. Poucos dias depois, novos casos sem ligação aparente entre si foram identificados em Kampala, capital de Uganda, aumentando o temor de disseminação regional do vírus.

Diante da rápida evolução dos registros, a OMS declarou, em 17 de maio de 2026, emergência de saúde pública de preocupação internacional — o mais alto nível de alerta sanitário emitido pela entidade.

Na última sexta-feira (22), a organização elevou o nível de risco epidemiológico na República Democrática do Congo de “alto” para “muito alto”, classificação máxima utilizada pela agência.

Vírus apresenta alta taxa de mortalidade

Dados divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontam ainda 176 mortes suspeitas associadas ao atual surto.

O Ebola é uma doença viral grave, conhecida pelo alto índice de mortalidade e pela rápida evolução clínica em casos severos. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, vômito, fezes e secreções, além do contato com animais contaminados.

Especialistas ressaltam que o vírus não possui transmissão aérea, diferentemente de doenças respiratórias como Covid-19 ou sarampo. Isso significa que o contágio depende de exposição direta e significativa às secreções de pacientes infectados.

Os primeiros sintomas costumam incluir:

  • Febre alta súbita;

  • Dor muscular intensa;

  • Fraqueza extrema;

  • Dor de cabeça;

  • Náuseas e vômitos;

  • Diarreia;

  • Dor abdominal.

Nos casos mais graves, o quadro pode evoluir para manifestações hemorrágicas, incluindo sangramentos internos e externos, queda de pressão arterial, choque e falência múltipla de órgãos.

O período de incubação varia entre dois e 21 dias, com média de cinco a dez dias após o contágio. Durante esse intervalo, segundo a OMS, a pessoa infectada ainda não transmite o vírus.

Ausência de vacina preocupa autoridades sanitárias

Um dos fatores que mais preocupa as autoridades internacionais é que o atual surto envolve o vírus Bundibugyo, uma variante para a qual ainda não existem vacinas aprovadas nem tratamentos específicos comprovadamente eficazes.

Em surtos anteriores causados pela cepa Ebola-Zaire, vacinas e terapias experimentais ajudaram a conter a propagação da doença. No entanto, especialistas alertam que a ausência de ferramentas médicas específicas contra a variante atual pode dificultar o controle epidemiológico.

A OMS também informou que equipes de resposta rápida foram mobilizadas para rastreamento de contatos, isolamento de pacientes e monitoramento das áreas afetadas.

Brasil mantém vigilância epidemiológica

Embora não existam casos confirmados no Brasil até o momento, autoridades sanitárias brasileiras seguem monitorando o avanço da doença no continente africano.

O Ministério da Saúde mantém protocolos de vigilância para passageiros provenientes de regiões afetadas e reforçou orientações para identificação precoce de sintomas suspeitos.

Especialistas destacam que o risco de transmissão internacional existe, principalmente devido ao fluxo global de viagens, mas reforçam que o Ebola possui dinâmica de transmissão diferente de vírus respiratórios, o que reduz a probabilidade de disseminação ampla sem contato direto.

Ainda assim, organizações internacionais alertam que surtos em regiões com estrutura de saúde fragilizada podem aumentar rapidamente o número de casos e dificultar o controle da doença.

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