OMS acelera busca por tratamentos e vacinas contra Ebola em meio a avanço de surto na África

Organização Mundial da Saúde prioriza antivirais e anticorpos monoclonais para testes clínicos enquanto casos avançam na República Democrática do Congo e em Uganda
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

No entanto, especialistas alertam que a eficácia da estratégia depende diretamente da capacidade das equipes de saúde em identificar rapidamente os contatos dos infectados e realizar monitoramento contínuo. Em regiões com infraestrutura precária e acesso limitado aos serviços de saúde, o rastreamento ainda representa um dos maiores desafios para o controle do surto.

Vacinas experimentais também estão no centro das discussões da OMS. A candidata considerada mais promissora até o momento é a rVSV Bundibugyo, desenvolvida pela International AIDS Vaccine Initiative. Apesar do potencial, a agência avalia que o imunizante dificilmente estará pronto para testes em larga escala antes dos próximos sete a nove meses.

Outro projeto que avança no desenvolvimento é a vacina ChAdOx1 Bundibugyo, criada pela University of Oxford em parceria com o Serum Institute of India. Segundo a OMS, esse imunizante poderá chegar à fase de testes clínicos em um prazo de dois a três meses, embora ainda dependa de novos resultados em pesquisas com animais.

A agência também analisou a possibilidade de utilizar a vacina Ervebo, da Merck & Co., atualmente a única vacina licenciada contra o Ebola. No entanto, os especialistas recomendaram cautela. De acordo com a OMS, ainda não existem evidências científicas suficientes que comprovem proteção eficaz da Ervebo contra a cepa Bundibugyo, motivo pelo qual seu uso deverá permanecer restrito a estudos controlados.

Além da avaliação individual dos medicamentos, consultores da OMS recomendaram investigar terapias combinadas, unindo anticorpos monoclonais ao antiviral remdesivir. A expectativa é que a combinação possa aumentar as chances de sobrevivência e reduzir complicações graves da doença.

A Organização Mundial da Saúde informou ainda que trabalha em conjunto com autoridades sanitárias da RDC e de Uganda, além do Africa Centres for Disease Control and Prevention, para estruturar ensaios clínicos dentro de rígidos protocolos éticos e científicos.

O Ebola é uma doença viral altamente letal, transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou superfícies contaminadas. Dependendo da cepa, a taxa de mortalidade pode ultrapassar 50%. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dores musculares, fadiga intensa, vômitos e hemorragias internas.

Especialistas internacionais acompanham com preocupação a evolução do atual surto, principalmente pelo risco de disseminação regional e pela ausência de tratamentos específicos aprovados para a cepa Bundibugyo. A OMS reforçou que o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o isolamento rápido de casos suspeitos e o investimento em pesquisas continuam sendo as principais ferramentas para evitar uma crise sanitária de maiores proporções.

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