Fiscalização da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) encontrou os estrangeiros vivendo em condições degradantes e com restrição de liberdade
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
Dezoito imigrantes paraguaios submetidos a trabalho escravo em uma fábrica clandestina de cigarros no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife (RMR), foram resgatados e voltaram para o Paraguai nesse sábado (06).
De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), os homens estavam vivendo em condições degradantes e com restrição de liberdade. Eles foram resgatados durante uma operação realizada na última quinta-feira (04). Um deles deixou o Brasil na sexta-feira pelos próprios meios e os demais receberam ajuda para retornar ao país de origem no dia seguinte.
As investigações constataram que os trabalhadores foram atraídos por falsas promessas de emprego formal na área têxtil, com a oferta de salários entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil, além de alimentação e moradia. Contudo, quando chegaram ao Brasil foram levados para uma fábrica clandestina de cigarros.
Os trabalhadores estrangeiros tiveram a comunicação com os familiares cortada e os celulares recolhidos ou controlados pelos responsáveis da fábrica, em alguns casos. A fiscalização ainda constatou jornada de trabalho de 12 horas por dia sem direito a descanso semanal e trabalho exercido sem equipamentos de proteção individual (EPIs) e treinamento.
A equipe de fiscalização também detectou condições de alojamento deploráveis, com os imigrantes dormindo em colchões espalhados pelo chão, em espaços superlotados sem ventilação adequada e iluminação.
Os agentes ainda descobriram que os trabalhadores eram monitorados por câmeras de vigilância em áreas trancadas com cadeado. Conforme relatos, eles eram impedidos de sair dos alojamentos.
Além disso, foram encontradas irregularidades referentes às condições de higiene, alimentação e abastecimento de água potável. Quanto ao pagamento, só seria realizado após meses de trabalho, no retorno ao Paraguai.
Os imigrantes resgatados terão direito a verbas trabalhistas e podem requerer o seguro-desemprego especial destinado a vítimas de trabalho escravo.
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