Após prejuízo bilionário, estatal prevê fechar cerca de mil unidades e ampliar cortes de gastos para reduzir despesas
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Os Correios preparam o lançamento de uma nova edição do Programa de Demissão Voluntária (PDV), que poderá atingir até 7 mil empregados em todo o país. A medida faz parte de um amplo plano de reestruturação da estatal, que enfrenta uma das piores crises financeiras de sua história.
A crise ocorre durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vinculada ao governo federal, a estatal vem acumulando sucessivos prejuízos bilionários e agora aposta em cortes de gastos para tentar conter o avanço das perdas.
A situação financeira da estatal tem chamado atenção. Em 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do rombo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024. Para 2026, a expectativa é de um resultado negativo próximo de R$ 10 bilhões.
Além do novo PDV, a estatal planeja o fechamento de aproximadamente mil estruturas em todo o país, incluindo centros de tratamento de encomendas, áreas de armazenamento de cargas e agências de atendimento ao público.
Primeira tentativa ficou abaixo da meta
Esta será a segunda rodada de desligamentos promovida pela estatal em 2026. Entre fevereiro e março, os Correios já haviam lançado um programa semelhante.
Na ocasião, a empresa esperava a adesão de cerca de 10 mil trabalhadores, mas apenas 3 mil funcionários aceitaram participar do plano.
Desta vez, a direção da estatal não pretende estabelecer uma meta oficial de adesão. Ainda assim, a expectativa é de que a nova rodada contribua para uma redução significativa dos gastos com pessoal.
Rombo aumenta pressão por cortes
A folha de pagamento passou a ser um dos principais alvos do plano de contenção de despesas. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões, valor cerca de 80% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Diante desse cenário, a administração da estatal avalia que os resultados obtidos com o primeiro PDV foram insuficientes para reverter a deterioração financeira da empresa. Por isso, considera necessária uma nova rodada de desligamentos voluntários e uma reestruturação mais profunda.
Especialistas apontam que o avanço dos serviços privados de logística, o aumento dos custos operacionais e dificuldades de gestão têm pressionado os resultados da estatal nos últimos anos.
Possibilidade de demissões preocupa funcionários
Embora o programa seja voluntário, fontes ligadas à empresa afirmam que a administração não descarta medidas mais duras caso a adesão fique abaixo do esperado.
A possibilidade de futuras demissões aumenta a preocupação entre os trabalhadores, especialmente aqueles que atuam em unidades com previsão de encerramento das atividades.
Enquanto isso, sindicatos acompanham as negociações e cobram esclarecimentos sobre os impactos da reestruturação, o futuro das agências e a manutenção dos serviços prestados à população.
Com prejuízos que já somam bilhões de reais e sem sinais imediatos de recuperação, os Correios enfrentam um dos momentos mais delicados de sua história, enquanto milhares de funcionários aguardam definições sobre seus empregos e o futuro da estatal.
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