Ciclosporíase ultrapassa 20 mil casos nos EUA e acende alerta sobre segurança alimentar

Autoridades afirmam que o abastecimento de alimentos continua seguro, enquanto FDA e CDC ampliam investigações sobre a origem da contaminação ligada à alface iceberg distribuída em diversos estados
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Os Estados Unidos enfrentam o maior surto de ciclosporíase dos últimos anos. O número de pessoas afetadas pela infecção causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis já ultrapassou a marca de 20 mil casos suspeitos e confirmados, enquanto as autoridades federais intensificam os esforços para identificar todas as fontes de contaminação. Embora uma parcela significativa dos casos esteja associada a um recall de alface iceberg importada do México, especialistas alertam que o cenário é mais complexo e pode envolver múltiplos focos de transmissão. Apesar da rápida escalada dos registros, a Food and Drug Administration (FDA) reforça que o abastecimento de alimentos nos Estados Unidos permanece seguro e que os produtos envolvidos representam apenas uma pequena fração do mercado.

Casos continuam crescendo

Dados divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que, desde o início da temporada da doença em maio, mais de 6.700 casos foram confirmados laboratorialmente. Além disso, outros milhares de registros seguem em investigação, o que eleva o total de notificações para mais de 20 mil pessoas potencialmente afetadas em todo o país. As autoridades destacam que esse número ainda pode aumentar nas próximas semanas devido ao tempo necessário para confirmação laboratorial e conclusão das investigações epidemiológicas.

A ciclosporíase costuma apresentar um atraso entre a infecção, o aparecimento dos sintomas e a confirmação oficial dos casos. Por isso, os dados divulgados refletem uma situação que ainda está em evolução.

Investigação concentra-se em alface iceberg

As investigações conduzidas pelo CDC e pela FDA identificaram uma forte associação entre parte dos casos e o consumo de alface iceberg fatiada distribuída pela Taylor Farms de México. Em resposta às evidências epidemiológicas, a empresa realizou um recall voluntário dos produtos comercializados em diversos estados americanos.

Até o momento, o surto diretamente relacionado a essa cadeia de distribuição reúne 1.947 casos confirmados em nove estados, incluindo Illinois, Indiana, Kansas, Kentucky, Michigan, Ohio, Oklahoma, Pensilvânia e Virgínia Ocidental. Pelo menos 98 pessoas precisaram ser hospitalizadas, mas nenhuma morte foi registrada.

Falso positivo não alterou investigação

Durante a investigação, uma amostra de alface chegou a apresentar um resultado inicial positivo para o parasita. Após uma reavaliação técnica, porém, especialistas da FDA concluíram que o exame representava um falso positivo.

Segundo a agência, essa conclusão não altera o andamento da investigação nem enfraquece as evidências obtidas por meio do rastreamento da cadeia de distribuição e das entrevistas realizadas com pacientes. As autoridades afirmam que os dados epidemiológicos continuam apontando a alface iceberg como uma importante fonte de contaminação para esse grupo específico de casos.

FDA diz que abastecimento continua seguro

Mesmo diante do maior número de casos registrados nos últimos anos, a FDA reforçou que não existe indicação de um problema generalizado na cadeia de abastecimento dos Estados Unidos.

A agência destaca que o recall atingiu um volume restrito de produtos e que os alimentos potencialmente contaminados foram retirados do mercado. Ao mesmo tempo, as autoridades continuam monitorando novos relatos para verificar se existem outras fontes envolvidas no aumento nacional da doença.

O que é a ciclosporíase

A ciclosporíase é uma infecção intestinal provocada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis. A transmissão ocorre principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados, especialmente frutas e vegetais consumidos crus.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • diarreia intensa ou persistente;

  • cólicas abdominais;

  • náuseas;

  • perda de apetite;

  • fadiga;

  • perda de peso.

Os sintomas costumam surgir entre dois dias e duas semanas após a ingestão do alimento contaminado e podem persistir por várias semanas se não houver tratamento adequado.

Investigações continuam

O CDC e a FDA afirmam que o trabalho de rastreamento continua em parceria com departamentos estaduais de saúde e empresas do setor alimentício. Como parte das investigações, novos casos poderão ser vinculados aos surtos já identificados, enquanto outras fontes de contaminação ainda podem ser descobertas.

As autoridades recomendam que consumidores descartem imediatamente produtos incluídos no recall, higienizem superfícies que tiveram contato com esses alimentos e procurem atendimento médico caso apresentem sintomas compatíveis com a doença após o consumo de vegetais crus.

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