Ex-governador de Minas Gerais afirma que Brasil precisa resolver impasse comercial com os Estados Unidos, critica aproximação do governo com países considerados “antiamericanos” e comenta atuação de Flávio Bolsonaro em Washington
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta terça-feira (7) que espera uma solução para o impasse envolvendo a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, independentemente de quem conduza as negociações. Durante compromisso em São Paulo, Zema criticou a condução da política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atribuindo ao Palácio do Planalto e ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) falta de habilidade diplomática nas relações com os Estados Unidos.
Zema pede solução para impasse comercial
Ao falar com jornalistas antes de participar de um encontro com lideranças femininas do mercado financeiro, em São Paulo, Romeu Zema afirmou que a prioridade deve ser a resolução do conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo o ex-governador, o país precisa preservar sua relação econômica com um de seus principais parceiros comerciais, independentemente de quem participe das negociações.
“Eu espero é que o Brasil resolva essa questão, independentemente de quem vier a solucionar isso”, declarou.
A manifestação ocorre no mesmo dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de uma audiência pública em Washington para defender a suspensão da tarifa adicional proposta pelos Estados Unidos.
Críticas ao governo Lula e ao Itamaraty
Durante a entrevista, Zema responsabilizou o governo federal pela deterioração das relações diplomáticas com os Estados Unidos.
Segundo ele, a condução da política externa brasileira tem demonstrado pouca habilidade na construção de diálogo com Washington.
“O governo Lula e o Itamaraty têm faltado com habilidade com relação à política externa”, afirmou.
O ex-governador também criticou o que considera uma aproximação do atual governo com países que mantêm posições críticas em relação aos Estados Unidos.
Entre os países citados por Zema estão Cuba, Venezuela e Irã.
Na avaliação do pré-candidato, esse alinhamento comprometeria a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos e aumentaria a dependência econômica brasileira da China.
Debate ocorre em meio à investigação comercial dos EUA
As declarações de Romeu Zema acontecem enquanto o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) conduz uma investigação comercial que poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
A audiência pública realizada nesta terça-feira integra o processo de consulta promovido pelo órgão norte-americano antes de uma eventual decisão.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos ainda não anunciou qualquer medida definitiva.
Flávio Bolsonaro defendeu exportações brasileiras
Durante a audiência em Washington, Flávio Bolsonaro pediu que os Estados Unidos suspendam a proposta de tarifa adicional.
O senador também defendeu o Pix, citado na investigação comercial.
Segundo o parlamentar, o sistema desenvolvido pelo Banco Central do Brasil ampliou a inclusão financeira sem representar concorrência direta às empresas americanas de meios de pagamento.
Flávio argumentou ainda que impor novas tarifas a poucos meses das eleições presidenciais brasileiras poderia gerar impactos negativos para trabalhadores e empresas dos dois países.
Para reforçar sua posição, o senador encaminhou um documento de 86 páginas às autoridades norte-americanas solicitando a retirada do chamado tarifaço e a exclusão do Pix das discussões comerciais.
Relação comercial entre Brasil e Estados Unidos
Os Estados Unidos permanecem entre os principais destinos das exportações brasileiras.
Produtos dos setores de siderurgia, mineração, agronegócio, petróleo, indústria de transformação e manufaturados integram grande parte da pauta comercial entre os dois países.
Especialistas apontam que a eventual aplicação de tarifas pode reduzir a competitividade de produtos brasileiros no mercado norte-americano, além de elevar custos para importadores e consumidores.
O tema segue sendo acompanhado por autoridades brasileiras e representantes do setor produtivo, enquanto o governo norte-americano conclui a análise das contribuições apresentadas durante a investigação.
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