Pressão sobre big techs cresce nos EUA, enquanto governo Trump reforça foco na proteção de crianças online

Meta afirma que ação movida por estados norte-americanos pede indenização bilionária; debate amplia cobrança por mais responsabilidade das plataformas digitais e reforça a agenda de proteção defendida pela gestão de Donald Trump

Por Tatiane Martinelli |

A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, revelou que enfrenta uma das maiores disputas judiciais da história do setor de tecnologia. Em documentos apresentados à Justiça, a empresa informou que os estados da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey buscam a aplicação de cerca de US$ 1,4 trilhão em penalidades, sob a acusação de que as plataformas teriam sido projetadas para estimular o uso compulsivo entre crianças e adolescentes e de que a companhia teria minimizado os riscos à saúde mental dos jovens usuários.

Segundo a Meta, o valor exigido pelos estados é desproporcional e não encontra respaldo nas provas apresentadas. A empresa afirma que a cifra foi calculada multiplicando o número estimado de supostas violações pelos valores máximos previstos nas legislações estaduais de proteção ao consumidor. Para a companhia, uma penalidade dessa magnitude não possui precedentes na história da Justiça norte-americana.  

O julgamento está previsto para agosto, na Califórnia, e deve analisar não apenas as acusações dos quatro estados, mas também alegações de que a Meta teria violado normas federais de proteção à privacidade infantil. Paralelamente, dezenas de outros estados norte-americanos também movem ações semelhantes, ampliando a pressão sobre as grandes empresas de tecnologia.  

O caso ocorre em um momento em que a administração do presidente Donald Trump intensifica o discurso de que as gigantes da tecnologia precisam ser responsabilizadas quando colocam interesses comerciais acima da segurança de crianças e adolescentes. O governo tem defendido medidas mais rigorosas para ampliar a transparência das plataformas, fortalecer o controle parental e garantir maior proteção aos menores no ambiente digital, tema que ganhou espaço na agenda política americana. Essa postura é vista por aliados do presidente como parte de um esforço para exigir que empresas bilionárias respondam pelos impactos sociais de seus produtos.

A Meta, por sua vez, nega todas as acusações. A empresa sustenta que não há comprovação científica de que exista uma condição psiquiátrica oficialmente reconhecida como “vício em redes sociais” e afirma que vem implementando ferramentas voltadas à segurança de adolescentes, incluindo controles parentais, limites de conteúdo sensível e novos recursos de supervisão para famílias.  

Especialistas avaliam que o julgamento poderá estabelecer um importante precedente para futuras ações contra empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Além das possíveis consequências financeiras, a decisão poderá influenciar mudanças na forma como redes sociais desenvolvem seus algoritmos, oferecem recursos para menores de idade e prestam contas às autoridades sobre a proteção de seus usuários mais jovens.

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