PF afasta servidores em operação contra suposto esquema de corrupção em obras públicas de Murici

Investigação aponta suspeita de cobrança de propina para favorecer empresas em licitações financiadas com recursos públicos

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Polícia Federal (PF), com apoio da Controladoria-Geral da União em Alagoas (CGU/AL), deflagrou na manhã desta terça-feira (28) a Operação Delivery, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos do município de Murici, em Alagoas. A apuração tem como foco possíveis desvios de recursos públicos federais destinados à construção e reforma de escolas e quadras esportivas.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Murici e Maceió, por determinação da Justiça Federal. Além das buscas, os servidores investigados foram afastados de suas funções públicas enquanto prosseguem as investigações.

A Justiça também autorizou o sequestro de bens e valores que totalizam R$ 1.301.762,59, medida que busca garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação.

Investigação começou após prisão em flagrante

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início em novembro de 2025, quando um homem foi preso em flagrante pelo crime de corrupção ativa. Na ocasião, ele transportava R$ 270 mil em dinheiro vivo, fato que chamou a atenção dos investigadores e deu origem às diligências que culminaram na operação desta terça-feira.

A partir desse episódio, a PF reuniu elementos que indicam a existência de um esquema estruturado de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos municipais.

Como funcionaria o esquema

De acordo com as investigações, servidores públicos de Murici teriam solicitado e recebido propina de empresas interessadas em contratos de obras públicas.

Em troca dos pagamentos ilegais, os investigados supostamente forneciam informações privilegiadas, favoreciam determinadas empresas em processos licitatórios e facilitavam a celebração e a execução de contratos administrativos custeados com recursos federais.

Caso as suspeitas sejam confirmadas ao longo da investigação e do processo judicial, o esquema representa um grave prejuízo ao dinheiro público destinado à educação e à infraestrutura do município.

Dinheiro e moedas estrangeiras apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais federais apreenderam uma quantia significativa em dinheiro e moedas estrangeiras.

Foram encontrados:

• R$ 123 mil em espécie;

• US$ 1.697;

• 7.345 euros;

• 550 libras esterlinas.

Somados, os valores apreendidos correspondem a aproximadamente R$ 178.048,31, segundo estimativa apresentada pela Polícia Federal.

Os recursos apreendidos serão analisados para verificar sua origem e eventual relação com os crimes investigados.

Crimes investigados

Os envolvidos poderão responder, conforme o avanço das investigações, pelos seguintes crimes:

• Corrupção ativa;

• Corrupção passiva;

• Peculato;

• Associação criminosa.

As penas, somadas, podem resultar em vários anos de prisão, além da perda de bens, multas e outras sanções previstas na legislação.

Investigações continuam

A Polícia Federal informou que as investigações permanecem em andamento e buscam identificar outros possíveis participantes do esquema, bem como dimensionar o prejuízo causado aos cofres públicos.

A Controladoria-Geral da União também atua na análise da aplicação dos recursos federais destinados às obras investigadas, com o objetivo de verificar possíveis irregularidades na execução dos contratos.

Até o momento, a PF não divulgou os nomes dos servidores investigados. Como a investigação ainda está em curso, eles têm direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme determina a legislação brasileira.

Leia mais

Santos defende vantagem diante da Universidad Central para confirmar vaga nas oitavas da Sul-Americana

Itália anuncia retorno de Mancini e confirma Ranieri na direção das seleções após crise na federação

COI arquiva denúncia contra Infantino e descarta investigação sobre suposta influência de Trump na Copa

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*