Lula faz críticas a Trump e volta a atacar pautas conservadoras durante agenda no Rio

Presidente defendeu o SUS, criticou o ensino domiciliar e as escolas cívico-militares durante compromissos oficiais

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou compromissos oficiais no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), para fazer críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de defender o Sistema Único de Saúde (SUS) e voltar a se posicionar contra o ensino domiciliar (homeschooling) e o modelo de escolas cívico-militares.

Durante participação na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, Lula reafirmou sua posição favorável ao fortalecimento da educação pública e criticou propostas defendidas por setores conservadores, como o homeschooling e a expansão das escolas cívico-militares.

Mais cedo, em visita ao Hospital Federal do Andaraí, na capital fluminense, o presidente aproveitou a presença do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para fazer uma referência direta ao presidente norte-americano, Donald Trump.

Lula pediu que Tedros apresente a estrutura do SUS a Donald Trump, afirmando que o sistema brasileiro oferece atendimento universal e gratuito à população. O presidente também citou o tratamento contra um câncer pelo qual passou e disse ter recebido atendimento pelo SUS.

As declarações ocorrem em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasília e Washington. Nos últimos dias, os governos dos dois países trocaram críticas em diferentes frentes, incluindo questões relacionadas à política externa, segurança e comércio.

Entre os episódios recentes estão a decisão do governo brasileiro de negar vistos a representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos após controvérsias envolvendo o sistema eleitoral brasileiro. Por outro lado, o governo Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificou as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Durante a agenda no Rio, Lula também voltou a criticar a gestão dos hospitais federais durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem apresentar provas durante o evento, o presidente afirmou que integrantes da família Bolsonaro teriam exercido influência sobre a administração dos estacionamentos dessas unidades hospitalares no passado.

Ainda na cerimônia, o Ministério da Saúde entregou à Organização Mundial da Saúde um relatório sobre os avanços do Brasil no combate à transmissão da hepatite B de mães para bebês. O documento será analisado pelo organismo internacional como parte do processo de certificação das políticas brasileiras na área.

As declarações de Lula acontecem em um cenário de forte polarização política e de movimentação dos principais grupos políticos de olho nas eleições de 2026, em meio ao acompanhamento de pesquisas de opinião sobre a disputa eleitoral.

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