Dez corintianos serão julgados pelas mortes de dois palmeirenses; outros dez réus ligados ao Palmeiras terão julgamento separado
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
A sessão foi marcada pela juíza Flávia Castellar Oliverio e terá, inicialmente, dez torcedores do Corinthians como réus. Eles respondem a acusações relacionadas às mortes ocorridas durante o confronto. Outros dez torcedores, ligados ao Palmeiras, também respondem ao processo, mas serão julgados separadamente, em uma data que ainda não foi definida.
O confronto ocorreu em 2012, na avenida Inajar de Souza, na Zona Norte de São Paulo, e envolveu integrantes de torcidas organizadas dos dois clubes. Segundo o Ministério Público, os corintianos teriam planejado o ataque e surpreendido um grupo de palmeirenses que havia se reunido para acompanhar o clássico marcado para aquele domingo.
De acordo com a acusação, os envolvidos utilizaram paus, pedras e rojões durante o confronto. A briga terminou com as mortes dos palmeirenses André Alves Lezo e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira.
Ataque teria sido planejado
As investigações apontaram que o confronto não teria sido uma briga ocasional. Segundo o Ministério Público, o ataque teria sido planejado previamente e estaria relacionado a uma vingança pela morte do corintiano Douglas Karin Silva, ocorrida em agosto de 2011.
Com o avanço das investigações, 20 pessoas passaram a responder judicialmente pelo episódio. Os dez torcedores do Corinthians foram denunciados por homicídio, enquanto os dez palmeirenses foram denunciados por formação de quadrilha.
A Justiça decidiu dividir o julgamento em duas etapas. Inicialmente, serão analisadas as acusações contra os torcedores corintianos. Em outro momento, ainda sem data definida, será realizado o julgamento dos palmeirenses.
Caso chegou à Justiça em 2016
O processo começou a avançar para o Tribunal do Júri em 2016, quatro anos após o confronto. Naquele período, porém, novos episódios de violência envolvendo torcedores voltaram a marcar os clássicos entre Corinthians e Palmeiras.
Em 3 de abril, durante uma partida entre Corinthians e Palmeiras, José Sinval Batista de Carvalho, de 53 anos, foi atingido por uma bala perdida. Segundo as informações do caso, ele não tinha envolvimento com torcidas organizadas.
A morte provocou uma reação das autoridades de segurança pública. No dia seguinte, a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo determinou que os clássicos entre os principais clubes paulistas passassem a ser disputados com torcida única.
A medida foi adotada como resposta aos episódios de violência registrados em estádios e nos arredores das arenas. Desde então, a torcida única passou a fazer parte da rotina dos principais clássicos do futebol paulista.
Julgamento ocorre 14 anos após o confronto
A sessão marcada para 5 de outubro de 2026 representa mais uma etapa de um processo que se estende por 14 anos. O caso envolve duas mortes, 20 réus e um histórico de violência entre torcedores que provocou mudanças nas medidas de segurança adotadas nos clássicos paulistas.
Os dez torcedores do Corinthians serão os primeiros a enfrentar o Tribunal do Júri. A Justiça ainda deverá estabelecer a data para o julgamento dos dez torcedores ligados ao Palmeiras.
O confronto ocorrido na avenida Inajar de Souza permanece como um dos episódios mais graves de violência envolvendo torcedores de Corinthians e Palmeiras. Além das consequências criminais, o caso se insere em um período marcado por sucessivos conflitos entre torcidas organizadas, que contribuíram para a adoção de medidas mais rígidas de segurança no futebol paulista.
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