Imigração ajuda a conter queda da população jovem na Alemanha

Jovens de 15 a 24 anos representam apenas 10% da população alemã, uma das menores proporções já registradas no país; presença de imigrantes e descendentes ajuda a reduzir ainda mais o impacto do envelhecimento demográfico

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

A Alemanha enfrenta um cenário demográfico marcado pelo envelhecimento da população e pela redução da participação dos jovens. Dados do Departamento Federal de Estatística (Destatis) mostram que, no fim de 2025, cerca de 8,3 milhões de pessoas tinham entre 15 e 24 anos, o equivalente a apenas 10% da população alemã. O índice permanece no nível mais baixo registrado desde 2021.

A situação contrasta fortemente com o que ocorria algumas décadas atrás. Em 1983, no auge da presença da geração dos chamados baby boomers entre adolescentes e jovens adultos, essa faixa etária representava 16,7% da população — aproximadamente uma em cada seis pessoas.

A imigração, no entanto, tem contribuído para amenizar a redução da população jovem. Segundo o Destatis, em 2025, pessoas sem histórico de imigração representavam 8,5% de jovens entre 15 e 24 anos. Entre a população com histórico migratório, o percentual chegava a 12,2%. O levantamento considera tanto imigrantes quanto seus descendentes, incluindo pessoas cujos pais chegaram à Alemanha a partir de 1950.

A diferença está relacionada, entre outros fatores, à estrutura etária mais jovem das famílias de origem migrante. Na prática, a imigração tem ajudado a compensar parcialmente os efeitos de décadas de baixa participação dos jovens na população alemã.

O cenário também varia de acordo com a região. Bremen registrou a maior proporção de jovens, com 11,1%, seguido por Hamburgo, com 10,5%, e Baden-Württemberg, com 10,4%. Já os estados do leste do país apresentaram percentuais menores. Brandemburgo ficou na última posição, com 8,8%, enquanto Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt registraram 9,1% cada.

Alemanha fica abaixo da média da União Europeia

Quando comparada aos demais países da União Europeia, a Alemanha também aparece abaixo da média. No início de 2025, os jovens de 15 a 24 anos correspondiam a 10% da população alemã, enquanto a média entre os 27 países do bloco era de 10,7%.

A Irlanda apresentava a maior proporção de jovens, com 12,7%, seguida por Dinamarca e Holanda, ambas com 12,2%. Na outra ponta estavam Malta, com 9,4%, e Bulgária, com 9,5%.

A baixa participação dos jovens na população alemã representa um desafio que vai além da questão demográfica. O envelhecimento da sociedade aumenta a pressão sobre sistemas de previdência e sobre o mercado de trabalho, que precisa lidar com uma população economicamente ativa proporcionalmente menor.

Nesse contexto, os dados mostram que a imigração não apenas altera a composição da população alemã, mas também desempenha um papel importante na estrutura etária do país. Sem a presença de imigrantes e de seus descendentes, a participação dos jovens seria ainda menor, tornando mais evidente o processo de envelhecimento que a Alemanha enfrenta.

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