Dívida pública supera R$ 10 trilhões, e Lula se aproxima de novo recorde de rombo fiscal

Déficit nominal chega a 9,99% do PIB, enquanto projeções apontam deterioração das contas públicas nos próximos anos

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A dívida bruta do setor público brasileiro alcançou R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central. O resultado representa o maior nível da dívida em relação ao tamanho da economia desde abril de 2021, período ainda marcado pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19.

O patamar atual também coloca a dívida próxima do recorde histórico de 87,6% do PIB, registrado em outubro de 2020. A evolução do indicador ocorre em um cenário de juros elevados, crescimento moderado da economia e ausência de geração consistente de poupança pública.

Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023, a dívida bruta aumentou 10,2 pontos percentuais em relação ao PIB. Em dezembro de 2022, último mês do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a dívida correspondia a 71,7% do PIB.

Déficit nominal se aproxima de 10% do PIB

Outro indicador que chama atenção é o resultado nominal das contas públicas. Segundo o Banco Central, o déficit nominal acumulado em 12 meses até junho de 2026 chegou a 9,99% do PIB.

O déficit nominal corresponde à diferença entre as receitas e as despesas do setor público, considerando também os gastos com o pagamento dos juros da dívida. Quanto maior o déficit, maior tende a ser a necessidade de financiamento do governo, pressionando a trajetória da dívida pública.

Projeções do mercado indicam que o terceiro mandato de Lula poderá terminar com déficit nominal médio de 8,6% do PIB, caso as estimativas atuais se confirmem. O resultado seria superior às médias observadas nos governos federais das últimas duas décadas, incluindo os períodos de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.

IFI prevê dívida de 82,5% do PIB em 2026

A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, projeta que a dívida bruta encerre 2026 em aproximadamente 82,5% do PIB.

A perspectiva para os próximos anos é ainda mais preocupante. De acordo com as projeções da instituição, mantida a atual trajetória das contas públicas, a dívida poderá alcançar 100% do PIB em 2032 e chegar a 115% em 2036.

Na prática, isso significa que o estoque da dívida poderia superar o tamanho anual de toda a produção de bens e serviços do país.

Treze anos consecutivos de déficit primário

O quadro fiscal também é pressionado pela dificuldade do governo em produzir resultados positivos nas contas primárias. O Brasil deverá completar, em 2026, 13 anos consecutivos de déficit primário, período em que as despesas do setor público superam as receitas antes do pagamento dos juros da dívida.

Um déficit nominal próximo de 10% do PIB é considerado elevado mesmo diante dos padrões históricos brasileiros. Parte do resultado de 2026, porém, foi influenciada pela antecipação do pagamento de precatórios, que provocou uma elevação temporária das despesas públicas.

Ainda assim, o cenário evidencia a dificuldade de estabilizar a relação entre dívida e PIB sem medidas capazes de conter o crescimento das despesas e melhorar o resultado fiscal.

Ajustes fiscais já foram adotados no Brasil

Medidas atualmente consideradas politicamente difíceis já foram implementadas em diferentes governos. Entre elas estão o ajuste fiscal conduzido pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy, em 2015; o teto de gastos, aprovado durante o governo de Michel Temer; e mudanças na estrutura tributária promovidas durante a gestão de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda.

O desafio atual é encontrar uma combinação de controle de despesas, aumento de receitas e crescimento econômico capaz de interromper a trajetória de alta da dívida.

Com a dívida em 81,9% do PIB, déficit nominal próximo de 10% e projeções que apontam para uma possível dívida equivalente ao tamanho da economia brasileira na próxima década, o quadro fiscal permanece como um dos principais desafios econômicos do país.

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