Embarcação afundou durante a travessia pelo Mediterrâneo; apenas dois passageiros foram resgatados com vida, segundo organização de direitos humanos
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
Uma embarcação que transportava imigrantes tunisianos com destino à Itália naufragou na costa da Tunísia, deixando pelo menos 13 pessoas desaparecidas. O acidente ocorreu durante uma das perigosas travessias pelo Mediterrâneo, utilizadas por migrantes que tentam chegar ao território europeu.
Segundo Mostafa Abdelkebir, chefe do Observatório Tunisiano de Direitos Humanos, o barco deixou a costa tunisiana na manhã de quinta-feira (20), com destino à Itália. A embarcação acabou afundando durante o percurso. Até o momento, apenas dois passageiros foram encontrados com vida.
Um dos sobreviventes contou que permaneceu à deriva no mar durante várias horas depois que o barco naufragou. O segundo passageiro resgatado estava em estado crítico, de acordo com a organização que acompanha a situação migratória na região. As circunstâncias do naufrágio e o número exato de pessoas que estavam a bordo ainda são objeto de apuração.
Travessia marcada por riscos
A rota do Mediterrâneo Central é considerada uma das mais perigosas utilizadas por imigrantes que tentam chegar à Europa. Embarcações partem principalmente do Norte da África e enfrentam longas distâncias em condições muitas vezes precárias, aumentando o risco de naufrágios, desaparecimentos e mortes.
Nos últimos dois anos, o número de partidas a partir da costa tunisiana caiu significativamente após o reforço da fiscalização. A estratégia inclui apoio financeiro da União Europeia e equipamentos de monitoramento de fronteiras fornecidos pela Itália. Mesmo com o aumento do controle, as tentativas de travessia continuam ocorrendo.
Acordo entre Europa e Tunísia é alvo de críticas
A política europeia de combate à imigração irregular na região também tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos. Entidades como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch questionam a parceria entre a União Europeia e a Tunísia e afirmam que o apoio destinado às forças de segurança pode contribuir para violações contra imigrantes e pessoas que buscam asilo.
As organizações defendem mudanças na política de cooperação e pedem que o bloco europeu reveja o financiamento destinado às forças de segurança tunisianas. O governo da Tunísia, por sua vez, tem adotado uma postura mais rígida diante do fluxo migratório e de pessoas que tentam deixar o país rumo à Europa.
Tragédia reforça alerta sobre migração pelo Mediterrâneo
O novo naufrágio volta a expor os riscos enfrentados por imigrantes que recorrem ao mar para tentar alcançar a Europa. Para muitos deles, a travessia representa uma tentativa de escapar de dificuldades econômicas e buscar melhores oportunidades, mas o percurso pode transformar a busca por uma nova vida em uma situação de extremo perigo.
Enquanto as informações sobre os 13 desaparecidos ainda são aguardadas, o caso reforça a dimensão da crise migratória no Mediterrâneo e a dificuldade das autoridades em impedir que pessoas continuem recorrendo a embarcações inseguras para tentar chegar ao continente europeu.
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