Justiça dos EUA confirma que registro usado por Moraes contra Filipe Martins era falso

Dado indicava entrada de Filipe Martins, mas Justiça confirmou que ele não esteve nos EUA na data apontada

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Um juiz federal dos Estados Unidos, Gregory A. Presnell, classificou como falso o registro migratório que indicava que Filipe Martins, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro, havia entrado nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022.

A informação ganhou peso no Brasil e foi considerada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao determinar a prisão preventiva de Martins, em fevereiro de 2024. A suspeita era de que ele pudesse ter deixado o país para evitar a aplicação da lei.

O problema é que, segundo as autoridades americanas, Filipe Martins não entrou nos Estados Unidos na data registrada.

Defesa contestou o registro

Desde o início, a defesa de Martins afirmou que ele permaneceu no Brasil e apresentou elementos para contestar a informação, incluindo dados de localização, registros financeiros e documentos relacionados a um voo doméstico realizado no Brasil em 31 de dezembro de 2022.

Posteriormente, autoridades migratórias dos Estados Unidos revisaram os dados e reconheceram que o registro estava incorreto.

Agora, o juiz Presnell determinou que o governo americano apresente comunicações internas e documentos para esclarecer como a informação falsa foi inserida no sistema e identificar os responsáveis.

Registro usado em decisão de Moraes volta ao centro do caso

A revelação coloca novamente sob questionamento um dos elementos utilizados para sustentar a prisão preventiva de Filipe Martins.

O dado migratório apontado como falso foi utilizado como elemento para sustentar a prisão preventiva de Filipe Martins. A revelação levanta sérios questionamentos sobre a confiabilidade das informações que chegaram ao processo e sobre os impactos que um registro incorreto pode ter causado na decisão judicial.

A investigação americana agora deverá esclarecer como o registro falso surgiu, quem o inseriu e por que uma informação incorreta permaneceu no sistema oficial.

O caso ganha ainda mais relevância porque a informação não ficou restrita a um banco de dados: ela foi considerada em um processo que resultou na prisão de um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Agora, cabe às autoridades americanas esclarecer a origem do registro e aos órgãos brasileiros avaliar o impacto que a informação teve sobre a prisão de Filipe Martins.

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