Presidente dos Estados Unidos afirmou que Washington está pronto para auxiliar o Nepal; desastre provocado pelo colapso de uma geleira já deixou centenas de mortos e mais de 1,4 mil pessoas desaparecidas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Uma das mais graves catástrofes naturais recentes no Himalaia mobiliza equipes de resgate do Nepal, da China e de organizações internacionais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (27) que o governo americano ofereceu ajuda ao Nepal após as enchentes repentinas que atingiram a região próxima à fronteira com o Tibete. Ao mesmo tempo, autoridades trabalham para localizar dezenas de cidadãos dos Estados Unidos que estavam na área atingida.
Trump disse a jornalistas na Casa Branca que havia aproximadamente 50 a 60 americanos na região e que ainda não existia uma relação completa das pessoas localizadas. “Esperamos que estejam bem”, afirmou o presidente, segundo relatos divulgados nesta quinta-feira.
A situação, porém, continuou evoluindo ao longo do dia. Informações posteriores indicaram que cerca de 90 cidadãos americanos permaneciam sem localização confirmada, enquanto o governo dos Estados Unidos mantinha contato com autoridades nepalesas para identificar os desaparecidos e prestar assistência aos cidadãos afetados. Até o momento, não havia confirmação de mortes de americanos relacionada à tragédia.
Uma catástrofe provocada pelo colapso de uma geleira
A enchente ocorreu na quarta-feira (26), em uma região montanhosa do Nepal próxima à fronteira com o Tibete. A força da água arrastou enormes quantidades de gelo, pedras, lama e outros detritos, atingindo comunidades, estradas, pontes, instalações de energia e áreas utilizadas por turistas e peregrinos.
Investigações geológicas descartaram a hipótese inicial de que um terremoto teria provocado o desastre. Segundo informações técnicas citadas por autoridades americanas, o fenômeno foi causado pelo colapso de uma geleira, seguido por um fluxo de detritos, que liberou uma quantidade gigantesca de água e material rochoso pelos vales.
O episódio foi inicialmente associado a uma atividade sísmica registrada na região. Análises posteriores indicaram, entretanto, que o sinal detectado estava relacionado ao próprio colapso glacial e ao movimento de rochas, gelo e detritos — e não a um terremoto convencional.
A combinação entre o relevo extremamente acidentado do Himalaia, rios estreitos e comunidades instaladas em áreas de vale tornou a destruição ainda mais severa.
Centenas de mortos e desaparecidos
O número de vítimas aumentou rapidamente à medida que as equipes conseguiram chegar a áreas que estavam isoladas.
As informações mais recentes apontam para mais de 390 mortos no Nepal e no lado tibetano, além de mais de 1.400 pessoas desaparecidas. No Nepal, autoridades registraram centenas de mortes e centenas de desaparecidos, enquanto a China informou vítimas e centenas de pessoas ainda não localizadas no Tibete.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. Muitos estavam na região para turismo, trekking ou peregrinações religiosas em direção ao Monte Kailash, um dos locais mais importantes do Himalaia para diferentes tradições religiosas.
A dimensão real da tragédia ainda não está completamente determinada. O número de vítimas pode aumentar conforme equipes de emergência consigam alcançar áreas remotas e verificar comunidades que permaneceram sem comunicação.
Estados Unidos anunciam assistência
A resposta americana não ficou restrita à declaração de Trump.
O governo dos Estados Unidos anunciou US$ 500 mil em assistência emergencial para comunidades afetadas pela enchente. Os recursos serão destinados a ações de emergência, incluindo abrigo, itens de assistência e serviços relacionados a água, saneamento e higiene.
O Departamento de Estado também informou que a Embaixada dos Estados Unidos em Katmandu trabalha em conjunto com autoridades locais para identificar cidadãos americanos afetados pelo desastre e oferecer apoio.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos estão preparados para apoiar o governo nepalês com assistência humanitária necessária.
A medida ocorre em meio a uma operação internacional de emergência que envolve governos, equipes militares, organizações humanitárias e grupos de resgate.
Resgates enfrentam dificuldades
As condições geográficas estão entre os principais obstáculos para as operações.
Diversas estradas e pontes foram destruídas ou soterradas. Em algumas áreas, o acesso por terra tornou-se impossível, obrigando as autoridades a utilizar helicópteros para retirar sobreviventes e transportar alimentos, água, medicamentos e outros materiais.
O Exército do Nepal mobilizou aeronaves para alcançar comunidades isoladas e realizar operações de busca e salvamento. Equipes também trabalham na recuperação dos corpos levados pela correnteza.
A destruição da infraestrutura energética agravou a situação. Instalações de geração e transmissão de eletricidade foram atingidas, deixando determinadas regiões sem energia e dificultando as comunicações.
Organizações humanitárias alertaram que a dificuldade de acesso pode atrasar a identificação das vítimas e a distribuição de assistência.
Risco de novas inundações
A emergência ainda não terminou.
Autoridades nepalesas e chinesas emitiram alertas para o risco de novos episódios de inundação em razão do acúmulo de água em lagos glaciais localizados na região fronteiriça.
A possibilidade de novos fluxos de água preocupa principalmente as comunidades instaladas próximas aos rios. Por isso, moradores de áreas consideradas vulneráveis foram orientados a buscar locais mais elevados.
O risco também representa uma ameaça às próprias equipes de resgate, que precisam trabalhar em uma região onde o terreno permanece instável e novas movimentações de gelo, rochas e água podem ocorrer.
Uma região extremamente vulnerável
O desastre volta a colocar em evidência a vulnerabilidade do Nepal diante de eventos extremos.
O país possui uma geografia marcada por grandes altitudes, vales estreitos, rios de forte declive e extensas áreas glaciais. Essa combinação aumenta o potencial destrutivo de deslizamentos, avalanches, rompimentos de lagos glaciais e enchentes repentinas.
A Organização das Nações Unidas informou que suas equipes e parceiros humanitários estão apoiando a resposta liderada pelo governo do Nepal. Segundo a ONU, estão sendo mobilizados suprimentos, pessoal especializado e recursos para avaliar a dimensão da destruição e atender as comunidades afetadas.
A organização também destacou a necessidade de assistência emergencial para as populações atingidas.
Comunidade internacional acompanha a tragédia
Além dos Estados Unidos, outros governos e organizações internacionais estão mobilizados para acompanhar a situação de seus cidadãos e oferecer apoio às autoridades locais.
A prioridade neste momento é localizar sobreviventes, identificar desaparecidos, retirar pessoas de áreas de risco e garantir o fornecimento de água, alimentos, abrigo e atendimento médico.
Para os Estados Unidos, uma das principais preocupações é descobrir o paradeiro dos cidadãos que estavam na região no momento da enchente. A diferença entre os primeiros números apresentados, inicialmente estimados por Trump em cerca de 50 a 60 americanos e as estimativas posteriores mostra como o cenário permanece em atualização.
Enquanto isso, as equipes nepalesas continuam avançando pelas áreas devastadas. A cada nova região alcançada, autoridades buscam determinar o número de mortos, feridos e desaparecidos e identificar os impactos sobre comunidades que tiveram casas, estradas e meios de subsistência destruídos.
A tragédia no Himalaia permanece, portanto, em andamento. O esforço internacional de resgate deverá continuar nos próximos dias, enquanto Nepal, China e outros países tentam dimensionar completamente as consequências de um dos mais violentos episódios de inundação registrados recentemente na região.
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