Pesquisa do Dana-Farber Cancer Institute busca ajudar o sistema imunológico a reconhecer tumores que conseguem escapar das defesas naturais do organismo
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Cientistas do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, nos Estados Unidos, deram um novo passo na compreensão de como alguns tipos de câncer conseguem escapar da ação do sistema imunológico. O estudo, divulgado em 17 de setembro, aponta uma possível estratégia para tornar determinados tumores mais visíveis às células de defesa.
A pesquisa concentra-se nos chamados “tumores frios”, que apresentam pouca ação das células T — responsáveis por identificar e combater células anormais — ou conseguem impedir que essas células atuem de maneira eficiente. Entre os tipos de câncer frequentemente associados a esse comportamento estão alguns tumores de pâncreas, próstata, ovário, mama e glioblastoma.
Os pesquisadores descobriram que alterações no gene TP53, uma das mutações mais comuns em diferentes tipos de câncer, podem permanecer praticamente invisíveis para o sistema imunológico. Isso acontece porque determinadas alterações não são apresentadas de forma adequada na superfície das células tumorais, dificultando seu reconhecimento pelas células T.
A partir dessa descoberta, os cientistas estudaram maneiras de modificar o que as células cancerígenas apresentam em sua superfície. Uma das possibilidades envolve bloquear a ação de uma enzima chamada ERAP1, que pode destruir fragmentos de proteínas que seriam reconhecidos pelo sistema imunológico. Em experimentos de laboratório, a inibição dessa enzima permitiu que células T reconhecessem melhor determinados tumores.
A proposta é desenvolver estratégias capazes de fazer com que esses tumores apresentem mais “alvos” para o sistema imunológico. Dessa forma, tratamentos de imunoterapia poderiam, no futuro, ter mais elementos para identificar e atacar as células cancerígenas.
Os resultados são considerados uma importante base para novas pesquisas, mas os próprios pesquisadores ressaltam que o estudo ainda não demonstra que essa estratégia funcione como tratamento em pacientes. São necessários novos estudos para avaliar sua segurança e eficácia antes de qualquer possível aplicação clínica.
A pesquisa foi publicada na revista científica Immunity e reúne análises de células tumorais, proteínas e respostas de células T, contribuindo para uma melhor compreensão de como o câncer consegue se esconder do sistema imunológico.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
LEIA TAMBÉM:
Vorcaro ameaça revelar fatos sobre ministros do STF se pai não for solto
EUA lançam novo projeto para transformar diagnóstico de autismo e acelerar identificação em crianças
André Mendonça é aplaudido e chamado de “herói” durante voo para São Paulo

Faça um comentário