África do Sul pede proibição de marchas anti-imigração após morte de estrangeiro

Justiça concede medida provisória para impedir manifestações em Durban diante de ameaças de violência

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

A polícia da África do Sul solicitou à Justiça a proibição de marchas contra a imigração ilegal previstas para Durban, cidade costeira do país. O pedido foi motivado por ameaças de violência e por suspeitas de um plano para incendiar um centro de atendimento a refugiados, em meio à escalada de tensões contra estrangeiros.

O Tribunal Superior de KwaZulu-Natal concedeu uma ordem provisória para impedir as manifestações. A decisão definitiva deverá ser analisada pela corte na sexta-feira (30).

A iniciativa ocorre após episódios recentes de violência durante protestos anti-imigração. Na semana anterior, um cidadão estrangeiro morreu durante uma manifestação. Neste mês, outros atos contra uma decisão judicial que facilitou o acesso aos procedimentos de asilo terminaram em confrontos, com pelo menos 24 veículos incendiados e estabelecimentos comerciais saqueados.

Governo reforça segurança

Diante do agravamento da situação, o governo sul-africano enviou mais de 500 soldados para a província de KwaZulu-Natal, onde fica Durban, para reforçar a segurança. Após os episódios, alguns países africanos também iniciaram o repatriamento de seus cidadãos.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, condenou os atos de violência e afirmou que as autoridades agirão contra os responsáveis por violações da lei. Segundo ele, há pessoas utilizando a preocupação da população com a imigração ilegal para estimular conflitos entre comunidades e encobrir atividades criminosas.

Grupos criticam a medida

A decisão de tentar barrar as marchas foi criticada por Jacinta Ngobese-Zuma, líder do grupo March and March. Ela considera que a iniciativa do governo e da polícia representa uma tentativa de restringir as manifestações.

A imigração ilegal tornou-se um dos temas centrais do debate político sul-africano às vésperas das eleições municipais, previstas para a próxima semana. Alguns grupos contrários à presença de imigrantes sem documentação chegaram a estabelecer prazos informais para que essas pessoas deixem o país.

A situação amplia os desafios das autoridades, que precisam conter a violência e garantir a segurança dos estrangeiros, ao mesmo tempo que lidam com as tensões sociais e políticas relacionadas à imigração.

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