Após 20 dias de luta pela vida, morre o 5º policial baleado na megaoperação do RJ

A perda amplia o impacto emocional e político da operação, revelando a dimensão da guerra travada contra o crime no Rio de Janeiro

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O Rio de Janeiro registrou mais uma baixa entre os agentes que participaram da Megaoperação Contenção, realizada no fim de outubro nos complexos do Alemão e da Penha. O policial civil Rodrigo Vasconcellos Nascimento, de 45 anos, da 39ª Delegacia da Pavuna, morreu na madrugada deste sábado (22), após 20 dias internado em estado grave.

Nascimento foi baleado durante um confronto ocorrido no alto da Serra da Misericórdia, em um dos momentos mais intensos da operação. Um drone das forças de segurança chegou a registrar o instante em que a equipe foi surpreendida por criminosos armados.

Estado de saúde e luta pela sobrevivência

Desde a internação, médicos e colegas mantinham esperança de recuperação. Ao longo dos dias, Rodrigo apresentou pequenas melhoras, chegando até mesmo a sentar no leito, segundo relatos da equipe médica.

O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, que esteve com ele no hospital, se emocionou ao comentar a perda.

“É uma notícia extremamente dolorosa. Ele vinha reagindo bem, e todos nós estávamos confiantes. No domingo, pude visitá-lo e soube que ele havia demonstrado ânimo. A morte dele nos abala profundamente”, afirmou Curi.

“Rodrigo foi um herói, um servidor dedicado que entregou sua vida para proteger a população. Seu sacrifício jamais será esquecido. Que Deus o acolha e conforte sua família e seus amigos.”

A Polícia Civil chegou a mobilizar campanhas de doação de sangue para Rodrigo e outros três agentes feridos durante a operação.

Sepultamento

O corpo do policial será sepultado neste domingo (22), às 14h, no Cemitério Jardim da Saudade de Paciência, na Zona Oeste do Rio. A expectativa é de que colegas de várias unidades e moradores da região compareçam para prestar homenagens.

Balanço da Megaoperação

Com a morte de Rodrigo, sobe para cinco o número de policiais que perderam a vida após a operação do dia 28 de outubro, considerada uma das mais letais dos últimos anos.

Além dos agentes, 117 criminosos morreram durante os confrontos — totalizando 122 óbitos.

Policiais mortos na operação

As vítimas entre as forças de segurança são:

• 3º sargento do Bope Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, foi baleado no tórax durante a primeira troca de tiros no Complexo do Alemão, em uma área de mata fechada. 

• 3º sargento do Bope, Heber Carvalho da Fonseca, 39, acabou atingido na cabeça, quando tentava dar cobertura ao avanço de sua equipe num dos acessos à comunidade.

• Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, o Máskara, da 53ª DP, foi alvejado no abdômen enquanto participava do apoio tático na região da Penha.

• Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, que foi acertado na região do pescoço durante uma progressão em vielas estreitas da Pavuna.

• Rodrigo Vasconcellos Nascimento, 45 anos, que sofreu um disparo na altura do quadril e abdômen, gerando ferimentos internos graves que o mantiveram 20 dias internado antes do falecimento.

Impacto e repercussão

A morte de mais um agente reacende o debate sobre a escalada de violência nos grandes complexos do Rio e sobre o risco enfrentado diariamente por policiais em áreas dominadas pelo crime organizado.

Autoridades internas classificaram a Megaoperação como “necessária e inevitável” diante da expansão das facções, mas familiares e especialistas apontam o número elevado de óbitos como um alerta sobre a falta de condições seguras para atuação policial.

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