Caiado diz que Brasil demorou para agir contra facções criminosas

Foto: Julio Soares/Objetiva
Pré-candidato à Presidência afirma que medida deveria ter sido adotada antes pelo Brasil e defende endurecimento das penas contra facções criminosas
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, elevou o tom das críticas ao governo federal nesta sexta-feira (29) ao comentar a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. Durante palestra realizada na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), na Serra Gaúcha, Caiado afirmou que o Brasil demorou para reagir ao avanço das facções criminosas e disse que a decisão deveria ter partido do próprio governo brasileiro.

O evento teve como tema “Segurança: devolver o Brasil aos brasileiros de bem” e reuniu empresários, lideranças políticas e representantes do setor produtivo. Em seu discurso, Caiado associou o crescimento das organizações criminosas à perda de controle territorial por parte do Estado e criticou o que chamou de omissão das autoridades federais diante da expansão do crime organizado no país.

“Nós sabemos que essa decisão já deveria ter sido tomada muito antes pelo próprio governo brasileiro. Não precisava o governo americano agir primeiro para reconhecer a gravidade do problema”, declarou o pré-candidato.

As declarações acontecem após o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas globais. A classificação entra em vigor imediatamente em território norte-americano e deverá ser formalizada definitivamente em 5 de junho. Segundo o governo dos EUA, as facções brasileiras estão entre os grupos criminosos mais violentos da América Latina e são responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.

Durante a palestra, Caiado questionou o discurso do governo federal em defesa da soberania nacional e afirmou que milhões de brasileiros vivem atualmente sob influência direta das facções.

“Que soberania existe quando milhões de brasileiros vivem dominados pelo chamado Estado paralelo do crime? Que soberania existe quando áreas inteiras da Amazônia sofrem influência do narcotráfico internacional?”, afirmou.

O governador também destacou que o avanço das organizações criminosas ultrapassou as fronteiras da segurança pública e passou a atingir a economia formal. Segundo ele, facções criminosas vêm utilizando empresas legalizadas para lavagem de dinheiro e infiltração econômica.

“Hoje você não sabe mais se determinados investimentos são legítimos ou se estão sendo usados para lavar dinheiro do crime organizado”, disse.

Caiado defendeu ainda o endurecimento das penas contra integrantes de facções e afirmou que, caso estivesse no comando do país, já teria adotado medidas mais rígidas de enfrentamento ao crime organizado.

“Eu já teria decretado essas organizações como terroristas e ampliado muito mais as penas”, afirmou.

Além das críticas à segurança pública, o pré-candidato também tentou associar o debate à disputa eleitoral de 2026. Segundo ele, a próxima eleição presidencial terá como eixo central a discussão moral e ética na política.

“O Brasil precisa de uma liderança com autoridade moral para enfrentar o crime organizado e recuperar o controle do país”, declarou.

A decisão norte-americana gerou forte repercussão entre especialistas em segurança, juristas e integrantes do mercado financeiro. Analistas avaliam que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas poderá produzir impactos diretos em investigações internacionais, cooperação policial, movimentações financeiras e relações diplomáticas.

Entre as consequências imediatas estão o bloqueio automático de bens ligados às facções em território americano e a criminalização de qualquer apoio financeiro, logístico ou operacional prestado aos grupos dentro dos Estados Unidos. Instituições financeiras que eventualmente movimentem recursos relacionados às organizações poderão enfrentar restrições severas no sistema bancário internacional.

Especialistas também alertam para possíveis efeitos sobre investimentos estrangeiros no Brasil. O aumento da percepção de insegurança jurídica e a associação do país ao avanço do crime organizado podem ampliar exigências de auditoria e fiscalização em setores estratégicos, como agronegócio, infraestrutura, logística e combustíveis.

Outro ponto sensível envolve questões de soberania nacional. Juristas observam que a classificação como organizações terroristas abre espaço para medidas unilaterais de combate ao terrorismo por parte dos Estados Unidos, incluindo ações de inteligência e operações internacionais justificadas sob a ótica de segurança global.

A decisão também poderá impactar diretamente processos migratórios. Integrantes das facções, suspeitos de ligação com o crime organizado e pessoas investigadas por colaboração poderão ter vistos cancelados, pedidos negados ou até enfrentar prisão e deportação ao tentar entrar nos Estados Unidos.

Autoridades brasileiras ainda avaliam oficialmente os possíveis desdobramentos diplomáticos e jurídicos da medida anunciada pelo governo norte-americano.

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