EUA endurecem postura e condicionam eleições na Venezuela a reformas e imprensa livre

Marco Rubio afirma que país vive “fase de recuperação” e precisa reconstruir instituições antes do voto

Por Ana Raquel|GNEWSUSA 

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (3) que a Venezuela só poderá realizar eleições “verdadeiramente credíveis” após uma profunda reconstrução institucional, incluindo a garantia de imprensa independente, reformulação do órgão eleitoral e reorganização do sistema partidário.

As declarações foram feitas durante audiência na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em meio ao processo de transição política venezuelana iniciado após a queda de Nicolás Maduro, em operação conduzida pelos Estados Unidos no início de 2026.

Segundo Rubio, o país ainda vive uma “fase de recuperação política e institucional”, o que impede qualquer tentativa imediata de retorno ao voto sem risco de distorção do processo democrático.

“Não há eleições livres sem instituições sólidas”, afirma Rubio

Durante sua fala, o secretário foi direto ao apontar que eleições precipitadas poderiam apenas reproduzir antigas estruturas de poder ligadas ao regime chavista.

Rubio destacou a necessidade de:

• Fortalecimento da liberdade de imprensa

• Reorganização dos partidos políticos

• Criação de uma nova comissão eleitoral independente

• Garantias mínimas de transparência institucional

“Temos dito isso repetidamente”, afirmou o secretário ao defender que o processo deve ser gradual e condicionado a reformas estruturais.

Transição pós-Maduro ainda em fase inicial

A audiência ocorreu cerca de cinco meses após a mudança de governo em Caracas, quando Nicolás Maduro foi retirado do poder em operação militar dos Estados Unidos.

Desde então, a administração interina liderada por Delcy Rodríguez tem buscado estabilizar a economia e reconstruir relações diplomáticas com Washington.

Parlamentares americanos questionaram a possibilidade de eleições até o fim de 2027, mas Rubio evitou cravar datas, reforçando que o foco atual é a estabilização do país.

“Gostaríamos de ver isso o mais rápido possível, mas a realidade é que se passaram cinco meses, não cinco anos”, disse.

Visita militar dos EUA reforça cooperação em Caracas

No mesmo dia, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, realizou visita oficial a Caracas, marcando um novo capítulo na cooperação entre Washington e o governo interino venezuelano.

A reunião teve como pauta a estabilidade do país e a implementação do plano estratégico defendido pelo presidente Donald Trump para a reconstrução institucional e econômica da Venezuela.

Fontes ligadas ao governo americano afirmam que a atual fase prioriza segurança, retomada econômica e abertura ao investimento estrangeiro, especialmente no setor energético.

Abertura econômica e reposicionamento da Venezuela

Sob a nova administração, a Venezuela iniciou uma reaproximação com investidores internacionais, com destaque para empresas americanas interessadas no setor de petróleo.

O governo dos EUA também reabriu sua embaixada em Caracas e incentiva a retomada gradual de relações comerciais e diplomáticas.

Aliados de Trump avaliam que a mudança de cenário representa uma oportunidade histórica de reposicionar a Venezuela no eixo econômico ocidental, após anos de isolamento sob o chavismo.

Conclusão: fase decisiva para o futuro político venezuelano

A posição de Marco Rubio reforça a linha defendida pela atual administração americana: eleições só serão legítimas quando houver instituições reformadas e independência real dos poderes.

Para Washington, a prioridade não é apenas realizar um pleito, mas garantir que ele não represente a volta de estruturas políticas associadas ao antigo regime.

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