Europa enfrenta novo alerta de calor extremo e OMS cobra planos mais eficazes para evitar milhares de mortes

Organização Mundial da Saúde afirma que menos da metade dos países europeus possui estratégias adequadas para proteger a população durante ondas de calor; especialistas alertam para novos episódios de temperaturas acima dos 40°C
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um novo alerta sobre a preparação da Europa para enfrentar as ondas de calor extremo, classificando como insuficientes as medidas adotadas pela maioria dos países da região. Segundo a entidade, menos da metade das nações europeias possui planos nacionais específicos para responder aos impactos das altas temperaturas sobre a saúde da população. O aviso ocorre enquanto uma nova massa de ar quente avança sobre o continente, com previsão de temperaturas superiores a 43°C em áreas de Portugal e da Espanha, além de novos picos de calor esperados na França e nos países do Benelux.

OMS alerta para repetição de “semanas mortais”

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (7), o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Kluge, afirmou que o continente precisa abandonar a postura reativa e investir em sistemas permanentes de prevenção aos efeitos das mudanças climáticas.

Segundo ele, as recentes ondas de calor demonstraram que muitos sistemas de saúde continuam despreparados para responder a eventos climáticos extremos, situação que poderá se repetir nas próximas semanas.

“Os países precisam estar preparados antes que a próxima onda de calor chegue. A diferença entre um plano estruturado e uma resposta improvisada pode significar milhares de vidas salvas”, destacou Kluge.

Menos da metade dos países possui planos específicos

Segundo o escritório regional da OMS para a Europa, menos de 50% dos países integrantes da Região Europeia contam atualmente com os chamados Planos Nacionais de Ação para o Calor e a Saúde.

Esses documentos estabelecem protocolos que orientam autoridades de saúde, defesa civil e serviços públicos sobre como agir quando as temperaturas atingem níveis críticos.

Entre as principais medidas recomendadas pela organização estão:

  • sistemas de alerta meteorológico antecipado;

  • monitoramento contínuo das temperaturas;

  • identificação das populações mais vulneráveis;

  • campanhas de comunicação pública;

  • ampliação da assistência a idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas;

  • coordenação entre os setores de saúde, assistência social, habitação, planejamento urbano e saúde ocupacional.

Segundo Hans Kluge, quando essas estratégias são previamente definidas, cada instituição sabe exatamente qual deve ser sua atuação, permitindo respostas rápidas e organizadas.

Nova onda de calor avança sobre a Europa

Enquanto a OMS divulgava o alerta, serviços meteorológicos europeus monitoravam uma nova massa de ar extremamente quente avançando pelo Atlântico.

As previsões indicam que:

  • Portugal e o sul da Espanha poderão registrar temperaturas próximas dos 43°C;

  • França deverá enfrentar novo episódio de calor intenso;

  • Bélgica, Holanda e Luxemburgo (Benelux) também devem registrar temperaturas muito acima da média para o período;

  • regiões da Ásia Central poderão ultrapassar os 40°C.

Especialistas explicam que sucessivas ondas de calor têm se tornado mais frequentes e prolongadas em consequência das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Mais de quatro mil mortes em apenas um mês

Dados preliminares divulgados pela OMS apontam que a intensa onda de calor registrada na Europa Ocidental durante o mês de junho pode ter provocado mais de 4 mil mortes adicionais.

Embora os levantamentos ainda estejam sendo consolidados pelos governos nacionais, o número reforça a preocupação das autoridades sanitárias.

As altas temperaturas aumentam significativamente o risco de:

  • desidratação grave;

  • insolação;

  • insuficiência renal;

  • agravamento de doenças cardiovasculares;

  • complicações respiratórias;

  • aumento da mortalidade entre idosos e pessoas vulneráveis.

Além do impacto direto sobre a saúde, hospitais e serviços de emergência registraram aumento expressivo na procura por atendimento durante os dias mais quentes.

Reunião de emergência reúne 41 países

Diante da situação, a OMS convocou uma reunião extraordinária envolvendo representantes de 41 países europeus, além da Comissão Europeia e organizações da sociedade civil.

O objetivo é avaliar as lições aprendidas durante a última onda de calor e fortalecer a preparação para os próximos episódios extremos.

Segundo Hans Kluge, a iniciativa busca identificar estratégias que possam ser adotadas em larga escala antes que novos recordes de temperatura sejam registrados.

Países já adotam modelos considerados eficientes

Durante a reunião, a OMS destacou experiências consideradas bem-sucedidas em alguns países europeus.

Entre elas estão:

  • Itália, com um sistema nacional de vigilância da mortalidade relacionada ao calor;

  • Espanha, que desenvolveu uma ampla estratégia de comunicação pública para orientar a população durante episódios extremos;

  • Áustria, que atualizou recentemente seu plano nacional de resposta às ondas de calor.

Para a organização, essas iniciativas demonstram que é possível reduzir o número de mortes quando há planejamento antecipado.

“Os instrumentos já existem. Quando os planos são preparados e testados antes de uma crise, eles salvam vidas”, ressaltou Kluge.

Mudanças climáticas ampliam frequência dos eventos extremos

A comunidade científica observa que as ondas de calor vêm se tornando mais frequentes, intensas e duradouras em diversas regiões do planeta.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o aumento da temperatura média global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa tem contribuído para a ocorrência de eventos climáticos extremos cada vez mais severos.

Na Europa, o calor intenso deixou de ser um fenômeno ocasional para se tornar um desafio recorrente para governos, sistemas de saúde e infraestrutura urbana.

Especialistas defendem que, além da redução das emissões de carbono, será necessário ampliar investimentos em adaptação climática, planejamento urbano, arborização das cidades, sistemas de alerta e fortalecimento da rede pública de saúde.

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