O proprietário da embarcação, Edico Ramos de Silveira, relatou ao repórter investigativo Thathyanno Desa detalhes do acidente que matou Vilmar Dorner no rio Merrimack e descreveu os momentos de desespero após a tragédia
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O corpo do brasileiro Vilmar Dorner foi encontrado na tarde desta segunda-feira (6), no rio Merrimack, em Massachusetts, após três dias de buscas realizadas pelas equipes de resgate. Ele estava desaparecido desde a noite de sexta-feira (3), quando a embarcação em que estava com outros dois amigos colidiu contra um quebra-mar na região da Reserva Estadual de Salisbury Beach.
Segundo o Gabinete do Procurador Distrital do Condado de Essex, o corpo foi localizado por volta das 16h06, nas proximidades da Ilha Ram, em Newburyport. A identificação foi confirmada após a localização da vítima.
Após o acidente, uma grande operação de buscas foi realizada com participação da Polícia Estadual de Massachusetts, Guarda Costeira dos Estados Unidos, Polícia Ambiental de Massachusetts, Departamento do Porto de Newburyport e Departamento do Porto de Salisbury. As buscas chegaram a ser interrompidas devido às condições climáticas adversas provocadas por tempestades na região da Nova Inglaterra.
Enquanto as autoridades continuam investigando as circunstâncias do acidente, o repórter investigativo Thathyanno Desa conversou com exclusividade com Edico Ramos Silveira, proprietário do barco e um dos sobreviventes da tragédia.
Durante a entrevista, Edico contou que ele, Vilmar e o amigo Clayton Policiano estavam na região para pescar. O grupo havia chegado ao acampamento na sexta-feira à tarde, feito um churrasco e, à noite, seguido de barco pelo canal que dá acesso ao mar.
Ao repórter, o dono do barco explicou que seguia a sinalização das boias quando ocorreu a colisão.
“Foi tudo muito rápido. Os dois estavam na parte da frente do barco, eu estava pilotando e, quando fui olhar no GPS para ver se eu estava no sentido certo, tinha outra boia piscando na frente. Eu só senti aquela pancada e, quando vi, já estava dentro da água. Meu instinto foi sair da água. Caí no meio das pedras e, quando consegui subir na pedra, vi que estava com as pernas e os braços inchados. O barco ficou preso nas pedras e parou.”
Segundo o entrevistado, após o impacto, a embarcação começou a encher de água e Vilmar acabou caindo no rio.
“O barco começou a afundar, encher de água, e aí que falaram que o Vilmar tinha caído e nós não estávamos conseguindo ver ele.”
Questionado sobre o uso de equipamentos de segurança, ele afirmou que os ocupantes não estavam usando coletes salva-vidas no momento do acidente.
“A lei fala que você tem que ter colete no barco, mas não é obrigatório estar usando. Nós estávamos acostumados a não usar.”
Após conseguir sair da água, o proprietário da embarcação acionou ajuda. Segundo ele, um amigo que também estava pescando na região chegou ao local, enquanto uma pessoa que estava nas pedras chamou a polícia.
“Um amigo meu que também estava pescando na região chegou rapidamente ao local. Em cerca de dois minutos, ele já estava conosco procurando pelo Vilmar com uma lanterna. O barco da polícia também chegou, mas, mesmo com as buscas, não conseguimos mais localizá-lo.”
Edico afirmou que acredita que a correnteza pode ter levado Vilmar após a queda.
“Não sei se ele bateu a cabeça e desacordou. Como ali tem uma correnteza forte, provavelmente a correnteza arrastou ele.”
Durante a entrevista, o sobrevivente também explicou que não conseguiu ver exatamente o momento em que Vilmar caiu.
“Eles estavam na frente do barco. Provavelmente caíram do lado direito, do lado do canal, e eu caí do lado esquerdo, do lado das pedras.”
O proprietário da embarcação contou ainda que o outro amigo conseguiu permanecer no barco porque ficou preso pelo calção.
“Meu amigo me falou que ele ficou pendurado no calção, por isso que ele não caiu na água.”
Edico relatou ao repórter investigativo Thathyanno Desa que ainda se recupera dos ferimentos sofridos no acidente.
“Estou sentindo bastante dor na perna esquerda, que foi a que mais pressionou. Eu bati a canela e fez um corte grande, bati os dois braços, as costas também. Estou andando com dificuldade.”
Abalado, ele afirmou que ainda tenta entender o que aconteceu naquela noite.
“Foi tudo muito rápido, não sei explicar direito. A causa principal foi porque estava com pouca visibilidade. Até agora estou me perguntando o porquê, se eu fiz algo errado. Não sei o que aconteceu.”
O entrevistado também afirmou que foi questionado pelas autoridades sobre o consumo de álcool ou drogas, mas garantiu que não havia nada na embarcação.
“A polícia perguntou se eu usava drogas, se tínhamos bebido. No barco não tinha bebida, drogas, nada. Só estávamos entrando para pescar mesmo, nem tínhamos começado a pescar.”
Ele informou ainda que o barco possui seguro, está regularizado e passou por vistoria após o acidente.
Por fim, ele destacou o apoio prestado por sua esposa à família de Vilmar durante o período de buscas.
“Minha esposa ficou lá ontem o dia todo prestando apoio à esposa do Vilmar.”
As autoridades americanas seguem investigando as causas da colisão da embarcação com o quebra-mar. O acidente aconteceu na entrada do rio Merrimack, em uma área conhecida pela presença de um longo paredão rochoso que avança até a foz do rio.
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