Novo pacote de US$ 11 milhões será destinado a alimentação, saúde, abrigo e proteção; suprimentos também serão enviados de um armazém americano em Miami enquanto equipes de emergência continuam procurando vítimas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (14) mais US$ 11 milhões em assistência humanitária à Colômbia após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na segunda-feira (10). Com o novo aporte, o total de ajuda americana destinado à resposta ao desastre chega a US$ 26,5 milhões. O anúncio ocorre enquanto a Colômbia enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente: o terremoto deixou centenas de mortos, milhares de feridos e centenas de pessoas desaparecidas, além de provocar a destruição de residências, hospitais, escolas e outras estruturas em cidades como Cali e Pereira.
O governo americano informou que os novos recursos serão utilizados para atender necessidades emergenciais da população afetada, incluindo alimentação, assistência médica, proteção e abrigo, além de apoiar avaliações estruturais realizadas após o terremoto.
A assistência será executada em parceria com organizações humanitárias que já atuam na região, entre elas o Catholic Relief Services (CRS), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Unicef, o Programa Mundial de Alimentos e a World Vision.
Além do dinheiro destinado às operações humanitárias, o Departamento de Estado americano informou que pretende transportar suprimentos armazenados em um centro de pré-posicionamento localizado em Miami, na Flórida, para apoiar diretamente a resposta colombiana.
Terremoto deixa centenas de mortos e quase 4 mil feridos
O terremoto ocorreu pouco depois das 7h30 da manhã de segunda-feira (10), com epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor teve magnitude 7,4 e ocorreu a aproximadamente 107 quilômetros de profundidade. O Serviço Geológico Colombiano classificou o terremoto como o mais forte registrado no país no século XXI.
O impacto atingiu uma extensa área do oeste colombiano.
Cali, terceira maior cidade do país, e Pereira, na região cafeeira, estão entre os locais mais afetados. Também foram registrados danos em cidades como Quibdó, Armenia, Manizales e Buenaventura.
Edifícios residenciais desabaram, enquanto escolas, hospitais, igrejas e casas sofreram danos estruturais.
No balanço mais recente disponível neste sábado (15), autoridades colombianas contabilizavam pelo menos 294 mortos, cerca de 4 mil feridos e 320 pessoas desaparecidas. O número de vítimas pode continuar aumentando à medida que as equipes avançam sobre áreas destruídas.
Estados Unidos enviam recursos e suprimentos
A nova contribuição americana representa uma ampliação significativa da resposta internacional ao desastre.
De acordo com o governo dos Estados Unidos, o dinheiro será direcionado para necessidades consideradas prioritárias durante a emergência. Entre elas estão a distribuição de alimentos, atendimento de saúde, proteção de pessoas vulneráveis e criação ou manutenção de abrigos temporários.
O governo americano também informou que está coordenando a resposta com o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, e com as autoridades nacionais responsáveis pelo atendimento às comunidades atingidas.
A utilização de um armazém de pré-posicionamento em Miami permite que materiais de emergência sejam encaminhados rapidamente para a região, reduzindo o tempo necessário para aquisição e transporte de itens essenciais.
Em desastres de grande escala, esse tipo de estrutura logística pode ser decisivo para atender comunidades que perderam temporariamente acesso a água, alimentos, medicamentos e moradia.
Ajuda internacional cresce
A contribuição dos Estados Unidos se soma a uma mobilização internacional que envolve diferentes governos e organizações.
Equipes de resgate e assistência de países como Venezuela, México, Peru, Argentina e Israel participaram ou ofereceram apoio às operações colombianas.
O Banco Mundial também anunciou na sexta-feira (14) a liberação de US$ 200 milhões para apoiar a resposta emergencial e a recuperação da Colômbia. O financiamento deverá ajudar áreas como saúde pública, habitação e apoio a pequenas e médias empresas afetadas pela catástrofe.
A instituição também iniciou uma avaliação rápida dos danos e perdas econômicas provocados pelo terremoto, com o objetivo de ajudar o governo colombiano a estabelecer prioridades para a reconstrução.
Busca por sobreviventes entra em fase crítica
Quatro dias depois do terremoto, as operações de resgate enfrentavam uma corrida contra o tempo.
Equipes continuavam trabalhando em meio a toneladas de concreto e estruturas instáveis em busca de pessoas que poderiam estar presas sob os escombros. Em alguns locais, sinais de possível vida ainda mantinham familiares e socorristas esperançosos.
Ao mesmo tempo, em diversos pontos a operação já começava a mudar de uma etapa concentrada exclusivamente no resgate para a retirada de destroços e localização de desaparecidos.
A situação é agravada pela ocorrência de centenas de réplicas desde o terremoto principal. Os tremores secundários aumentam os riscos para os próprios socorristas e dificultam o trabalho em edifícios que já apresentam comprometimento estrutural.
Milhares de famílias perderam suas casas
O impacto habitacional é um dos maiores desafios enfrentados pela Colômbia.
O governo estima que mais de 10,5 mil residências tenham sido destruídas, enquanto dezenas de milhares de outras sofreram algum tipo de dano. Muitas famílias passaram a dormir em abrigos improvisados ou ao ar livre por medo de retornar para imóveis que ainda não foram considerados seguros.
Em algumas regiões, problemas de infraestrutura também dificultaram a distribuição de ajuda.
Comunidades próximas ao epicentro enfrentam interrupções no fornecimento de água, energia elétrica e gás, além de dificuldades de acesso por estradas danificadas.
O cenário é particularmente grave em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos, onde o transporte de equipes e suprimentos pode levar mais tempo.
Cali e Pereira concentram parte dos danos
A cidade de Cali, com mais de 2 milhões de habitantes, tornou-se um dos principais centros da operação de emergência.
Prédios residenciais sofreram colapsos e equipes de bombeiros, militares, policiais e voluntários trabalham na retirada de escombros.
Pereira, localizada na região cafeeira, também sofreu danos extensos.
O terremoto atingiu uma área economicamente importante para o país. A região é responsável por uma parcela significativa da produção de café colombiano e depende de uma complexa rede de estradas e infraestrutura para transportar a produção.
Portos e estradas foram afetados, obrigando parte das exportações a buscar rotas alternativas.
Desastre representa primeiro grande teste para novo governo
O terremoto também colocou o recém-empossado presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, diante de sua primeira grande crise nacional.
O presidente havia assumido o cargo apenas alguns dias antes da tragédia.
De la Espriella anunciou medidas de emergência econômica e prometeu criar um fundo específico para financiar a reconstrução de hospitais, escolas, casas e infraestrutura destruídas pelo terremoto.
A dimensão dos danos, entretanto, representa um enorme desafio financeiro.
Estimativas iniciais citadas pela Reuters apontam que os custos de reconstrução podem chegar a aproximadamente US$ 6 bilhões.
O governo colombiano precisará equilibrar as despesas emergenciais com os compromissos econômicos assumidos durante a campanha presidencial.
Região está no chamado Anel de Fogo do Pacífico
A forte atividade sísmica não é uma surpresa para os especialistas.
A Colômbia está localizada em uma região de intensa atividade tectônica, associada à interação entre diferentes placas. O país faz parte da área conhecida como Anel de Fogo do Pacífico, uma extensa zona de atividade sísmica e vulcânica que circunda grande parte do Oceano Pacífico.
No terremoto de 10 de agosto, a placa de Nazca estava envolvida no processo tectônico responsável pelo tremor, segundo especialistas consultados pela Reuters.
A profundidade do terremoto — superior a 100 quilômetros — poderia, em princípio, reduzir parte dos efeitos na superfície. Entretanto, a magnitude elevada e características do movimento tectônico contribuíram para produzir forte abalo em áreas densamente povoadas.
Por que um terremoto profundo pode causar tantos danos?
A profundidade de um terremoto não é o único fator que determina sua capacidade de destruição.
A magnitude, a distância até as áreas urbanas, o tipo de solo, a qualidade das construções e a duração e característica do movimento sísmico também influenciam diretamente os danos.
Edificações antigas ou construídas sem padrões adequados de resistência sísmica podem apresentar maior vulnerabilidade.
Especialistas destacaram que parte das estruturas atingidas na Colômbia provavelmente não seguia os padrões sísmicos mais modernos, o que pode ter contribuído para a dimensão dos danos.
Ajuda americana chega em momento decisivo
O anúncio dos novos US$ 11 milhões ocorre justamente quando a emergência colombiana entra em uma fase de transição.
A prioridade imediata continua sendo localizar desaparecidos, retirar vítimas dos escombros, oferecer atendimento médico e garantir abrigo para famílias que perderam suas casas.
Depois disso, o país terá pela frente uma operação de reconstrução que pode se estender por anos.
Os US$ 26,5 milhões anunciados pelos Estados Unidos representam apenas uma parcela da resposta internacional, mas chegam acompanhados de suprimentos, apoio logístico e atuação de organizações humanitárias que já possuem experiência em emergências.
Com centenas de mortos, milhares de feridos e centenas de desaparecidos, a Colômbia agora enfrenta o desafio de transformar a ajuda internacional em assistência concreta para as comunidades atingidas — e, posteriormente, reconstruir cidades e infraestrutura devastadas pelo terremoto.
Números da tragédia
- 7,4 — magnitude do terremoto;
- 10 de agosto — data do tremor;
- 294 mortos — balanço mais recente disponível neste sábado;
- Cerca de 4 mil feridos;
- 320 desaparecidos;
- Mais de 10,5 mil casas destruídas, segundo estimativa oficial;
- US$ 26,5 milhões — total da assistência americana após o novo aporte;
- US$ 11 milhões — valor anunciado adicionalmente pelos EUA;
- US$ 200 milhões — financiamento emergencial anunciado pelo Banco Mundial;
- Cerca de US$ 6 bilhões — estimativa inicial do custo de reconstrução.
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