Flávio Dino autoriza terceiro inquérito contra Lulinha por suspeitas de tráfico de influência

Filho do presidente Lula será alvo de nova apuração envolvendo negócios e contratos empresariais

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou, nesta terça-feira (4), a abertura de um novo inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A apuração foi solicitada pela própria PF e será a terceira investigação envolvendo o empresário no âmbito da Corte.

O novo procedimento ficará sob relatoria de Dino após sorteio realizado pelo STF. As duas investigações anteriores envolvendo Lulinha foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, que já havia autorizado a abertura dos inquéritos relacionados às suspeitas envolvendo o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a Polícia Federal, a nova investigação busca esclarecer se Fábio Luís Lula da Silva teria usado sua relação familiar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para exercer influência em negociações empresariais e facilitar contratos envolvendo empresas privadas e órgãos públicos.

A suspeita dos investigadores é de que o nome do presidente teria sido utilizado como uma forma de abrir portas para negócios e investimentos, especialmente em relação à empresa de tecnologia 3Structure IT.

Contratos milionários e suspeitas levantadas pela PF

De acordo com a investigação, a 3Structure IT possui contratos que, somados, chegam a aproximadamente R$ 55,7 milhões com órgãos do governo federal.

Um dos contratos citados pela PF foi firmado em novembro de 2022 com o Centro Integrado de Telemática do Exército, envolvendo o fornecimento de soluções de tecnologia da informação para ampliar a infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática do Exército.

O acordo inicial tinha valor de R$ 21,8 milhões e posteriormente recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões, aumentando o montante destinado à empresa.

A PF pretende analisar a relação entre a atuação de Lulinha e os contratos obtidos pela companhia, verificando se houve eventual favorecimento decorrente de sua proximidade com o chefe do Executivo federal.

Terceiro inquérito amplia investigações sobre Lulinha

Com a nova autorização, Lulinha passa a ser alvo de três frentes de investigação no Supremo Tribunal Federal.

A primeira apuração, autorizada pelo ministro André Mendonça, investiga possíveis negociações envolvendo a autorização para comercialização de cannabis medicinal em um contrato ligado ao Ministério da Saúde.

Segundo a PF, a investigação busca descobrir se Lulinha teria atuado para beneficiar uma empresa relacionada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que é investigado por suspeitas de participação em um esquema de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.

A segunda investigação apura a relação de Lulinha com empresários do setor de tecnologia que teriam buscado contratos públicos por meio da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev).

Conforme os investigadores, teria existido uma articulação envolvendo Lulinha, Antônio Carlos Camilo Antunes e a empresária Roberta Luchsinger para tentar aproximar empresas privadas de contratos com o governo federal.

PF investiga possível influência política em negócios privados

A nova apuração coloca novamente no centro do debate a possibilidade de uso de influência política para obtenção de vantagens empresariais. A Polícia Federal deverá analisar documentos, contratos, movimentações financeiras e possíveis relações entre os envolvidos para verificar se houve irregularidades.

Até o momento, as investigações estão em fase inicial e não há condenação contra Lulinha. A abertura de um inquérito significa que os investigadores receberam autorização para aprofundar a apuração dos fatos e reunir elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas levantadas.

O caso aumenta a pressão política sobre o governo Lula, já que envolve o filho do presidente e questionamentos sobre possíveis relações entre familiares de autoridades públicas e empresas que possuem contratos com o governo federal.

A defesa de Lulinha ainda poderá se manifestar no decorrer das investigações e apresentar sua versão sobre os fatos apurados pela Polícia Federal.

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