Os idealizadores do Immigrant Reality, Tiago Alves e Helenn Chris, apresentam versões diferentes sobre a criação do programa, acordos firmados, estrutura empresarial, investimentos e responsabilidades financeiras. Documentos, mensagens e outros materiais apresentados à reportagem reúnem os principais pontos levantados após o rompimento da parceria.
Por Redação|GNEWSUSA
O reality show Immigrant Reality, criado para retratar a rotina e os desafios de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos, tornou-se o centro de uma controvérsia envolvendo seus idealizadores: Tiago Alves e Helenn Chris. A divergência ganhou repercussão após Helenn tornar públicas, em manifestações nas redes sociais, uma série de versões sobre a criação e a gestão do programa. Em resposta, Tiago apresentou documentos, áudios, conversas, capturas de tela e outros materiais ao repórter investigativo Thathyanno Desa, que reuniu os principais elementos da versão do empresário — a qual contesta justamente as informações divulgadas publicamente por ela.
Segundo Tiago Alves, os acontecimentos relacionados ao rompimento da sociedade e à condução do Immigrant Reality ocorreram de forma muito diferente da versão apresentada por Helenn. Ao longo desta reportagem, são apresentados os principais pontos levantados pelo empresário com base no material que ele forneceu à reportagem.
O caso rapidamente ganhou repercussão entre brasileiros residentes nos Estados Unidos e também no Brasil, principalmente porque o programa havia conquistado espaço ao retratar histórias de superação, empreendedorismo e adaptação de imigrantes brasileiros.
Um reality diferente
Lançado na Flórida, o Immigrant Reality nasceu com uma proposta diferente da maioria dos realities tradicionais. Em vez de focar apenas na convivência entre os participantes, o programa foi criado para reproduzir desafios inspirados na realidade de brasileiros que decidiram recomeçar a vida nos Estados Unidos.
As provas envolviam liderança, tomada de decisões, desenvolvimento profissional e situações comuns ao processo de imigração, aproximando a competição das experiências vividas por milhares de brasileiros no exterior.
A proposta chamou a atenção da comunidade brasileira nos Estados Unidos, atraindo patrocinadores, influenciadores e participantes de diferentes perfis para a primeira temporada, que oferecia premiação em dinheiro.
Entretanto, o encerramento da primeira temporada marcou também o início da maior crise enfrentada pelo programa.
A origem da controvérsia
O caso ganhou repercussão após Helenn Chris tornar públicas uma série de declarações relacionadas à criação e à administração do Immigrant Reality. Em manifestações nas redes sociais, ela disse ter idealizado o reality e afirmou que Tiago Alves adotou medidas sem seu conhecimento durante a condução do projeto.
Entre os principais pontos apresentados por Helenn estão a afirmação de que a ideia original do programa teria partido dela; que Tiago abriu a empresa responsável pelo reality nos Estados Unidos sem sua autorização; que a conta bancária do projeto foi criada apenas em nome dele; e que ela não teve acesso à administração financeira da produção. Ela também questionou a participação de Camila, esposa de Tiago, na análise de contratos relacionados ao programa.
Em resposta, Tiago apresentou documentos e outros materiais que, segundo ele, contestam essa versão dos fatos e sustentam um relato diferente sobre os acontecimentos.
A reportagem teve acesso ao material apresentado por Tiago. As versões apresentadas pelas duas partes, contudo, ainda não foram analisadas pelo Poder Judiciário, e eventual avaliação sobre a autenticidade e o valor probatório desses documentos caberá à Justiça.
A versão de Tiago sobre o início do projeto
Segundo o empresário, o Immigrant Reality nasceu de um sonho antigo e a ideia do programa foi apresentada por ele a Helenn Chris, com quem teria desenvolvido o projeto posteriormente.
“A ideia do reality era um sonho antigo.”
O empresário afirma que Helenn participou da construção do programa, mas contesta declarações que atribuem exclusivamente a ela a criação do reality.
“Eu apresentei o projeto para ela. A gente construiu juntos.”
Tiago afirma possuir conversas e documentos que, segundo ele, demonstram que o primeiro contato entre os dois envolvia a criação de um infoproduto para o mercado digital, e não um reality show. De acordo com sua versão, o contrato inicialmente discutido estava relacionado a esse projeto e previa um investimento inicial de aproximadamente R$ 100 mil, enquanto Helenn ficaria responsável pela estratégia. Segundo ele, somente após essas tratativas a ideia evoluiu para o Immigrant Reality.
Segundo o empresário, esse contrato previa uma expectativa de faturamento de R$ 1 milhão. Tiago alega possuir o documento original e contesta a existência de outro contrato que, segundo ele, não corresponderia ao acordo inicialmente discutido entre as partes.
Helen entra em contato com Tiago para falar sobre infoprodutos
O empresário afirma ainda que decidiu compartilhar a ideia do reality com Helenn após ela informar que possuía experiência na área e poderia contribuir para a estruturação do projeto.
Ele também contesta a versão de que Helenn teria criado o reality e posteriormente o convidado para participar. Segundo Tiago, ela teria apresentado uma ideia inicial e buscado alguém para representar o projeto.
“Ela me encontrou aqui nos Estados Unidos e o que eu falava comunicava muito com aquilo que ela queria. Então ela fez um convite pra mim, pra eu ser o rosto do projeto. Em troca disso, eu iria financiar o projeto e ela iria entrar com a estratégia.”
O empreendedor relata que um vídeo apresentado por Helenn em uma transmissão ao vivo mostraria uma reunião já durante o desenvolvimento do reality, e não o primeiro encontro entre os dois. Segundo ele, essa diferença de contexto seria importante para compreender a cronologia da criação do programa.

Empresa e estrutura do projeto
Outro ponto abordado envolve a estrutura empresarial criada para administrar o projeto. Tiago contesta a alegação de que teria aberto uma LLC sem autorização ou falsificado a assinatura de Helenn. Segundo ele, a abertura foi comunicada à ex-sócia, que participou inclusive da escolha do nome utilizado no registro, e os documentos foram enviados tanto em conversas individuais quanto em grupo relacionado ao projeto.
Consta no registro oficial da empresa, protocolado em 13 de março de 2026 junto à Secretaria de Estado da Flórida, que tanto Tiago Alves quanto Helenn Oliveira aparecem como membros autorizados da IMMIGRANT GROUP CO LLC, com mesmo endereço de contato. O documento não aponta qualquer restrição ou indicação de que um dos sócios não teria conhecimento do registro.
Segundo o empresário, a formalização da participação dela seria concluída posteriormente por meio de contrato social. As alegações apresentadas pelas partes ainda não foram analisadas pelo Poder Judiciário.
Material enviado por Tiago, que afirma demonstrar que Helenn sabia da existência da empresa.
Conta bancária do projeto
A parte financeira do projeto também envolve questionamentos sobre a conta bancária utilizada para movimentações. Segundo o empreendedor, a intenção inicial era abrir uma conta conjunta da empresa, mas a instituição financeira teria exigido a presença física dos dois sócios, o que impediu a abertura naquele momento.
De acordo com Tiago, por esse motivo, a conta foi aberta inicialmente apenas em seu nome, com a previsão de inclusão de Helenn Chris posteriormente. Ele afirma possuir mensagens que demonstrariam que ela tinha conhecimento do procedimento e que seu nome seria acrescentado assim que estivesse nos Estados Unidos.
Conforme relatado, a alteração não ocorreu antes do início das gravações devido ao curto período em que Helenn permaneceu no país antes da produção do reality.
Tiago mostra que Helen sabia sobre a abertura das contas
Investimentos e despesas
Um dos principais pontos da entrevista envolve a parte financeira do reality.
O ex-sócio afirmou que grande parte da estrutura do programa foi custeada com recursos próprios, diante da expectativa de que patrocínios ajudassem a equilibrar os custos da produção.
Ele disse que assumiu despesas relacionadas à realização do programa e que acumulou prejuízos financeiros durante a execução do projeto.
Em sua avaliação, por se tratar de uma sociedade, os investimentos e responsabilidades financeiras deveriam ter sido compartilhados.
O responsável pelo projeto contesta a versão de que os custos e eventuais prejuízos do projeto seriam de sua responsabilidade exclusiva, afirmando que as obrigações financeiras deveriam ser divididas entre os envolvidos na iniciativa.
Questionamentos sobre recursos de patrocinadores
Tiago apresentou à reportagem áudios, mensagens e comprovantes que, segundo ele, demonstrariam uma divergência envolvendo valores de um patrocinador do projeto.
Segundo o empresário, havia uma negociação para um patrocínio de US$ 15 mil, dividido em três parcelas de US$ 5 mil, mas ele afirma que não foi informado de que o primeiro pagamento teria sido realizado diretamente em uma conta vinculada à empresa de Helenn no Brasil.
Conforme relatado, a expectativa era que os recursos fossem recebidos por uma plataforma ou conta com acesso dos responsáveis pelo projeto. O pagamento só teria sido identificado após o patrocinador solicitar o cancelamento do contrato e o reembolso de US$ 5 mil.
O empresário diz possuir comprovantes e conversas que, segundo sua versão, indicariam diferenças entre as informações recebidas sobre a forma de pagamento e os registros apresentados pelo patrocinador. Ele afirma que, após questionar a situação, passou a buscar esclarecimentos sobre a movimentação do valor.
Conversa em que Tiago Alves recebe um comprovante de pagamento que, segundo ele, indicava uma plataforma diferente da informada posteriormente pelo patrocinador.
As alegações apresentadas por Tiago Alves ainda não foram analisadas pelo Poder Judiciário e representam exclusivamente sua versão dos fatos.
E-mail do patrocinador solicitando cancelamento e reembolso
Vídeo mostra Tiago Alves questionando Helenn Chris após descobrir que o patrocinador já havia realizado o pagamento, informação que, segundo ele, desconhecia até então.
Atuação de Camila no projeto
A participação de Camila, esposa do empresário, também foi citada entre os temas levantados durante os desdobramentos do caso. Segundo ele, ela é advogada no Brasil, mas nunca exerceu advocacia nos Estados Unidos nem assinou documentos jurídicos relacionados ao projeto naquele país.
De acordo com o ex-sócio, Camila apenas prestou orientações informais sobre questões jurídicas, respeitando as limitações da legislação americana. Ele afirma possuir mensagens em que ela esclarece não poder atuar como advogada nos Estados Unidos.
O empresário relata ainda que as conversas indicariam que os contratos foram elaborados por Helenn Chris e encaminhados posteriormente para que Camila realizasse apenas uma análise informal, com observações sobre alguns pontos, sem participar da elaboração dos documentos ou exercer advocacia em território americano.
Camila afirma não ter autorização para exercer advocacia nos EUA.
Acusações envolvendo gravações
Um dos pontos apresentados envolve a alegação de que Helenn teria realizado gravações de conversas sem o conhecimento ou consentimento dos envolvidos durante o período em que os dois ainda trabalhavam juntos no projeto.
Segundo o empresário, os registros não teriam ocorrido apenas em reuniões virtuais, mas também em encontros presenciais, inclusive dentro de sua residência. Ele afirma possuir imagens de uma câmera de monitoramento da casa que, segundo sua versão, mostrariam Helenn utilizando o celular para registrar conversas.
“Eu tenho uma câmera dentro da minha casa. Nas imagens, ela aparece descendo a escada com o celular gravando. Depois volta, deixa o aparelho e desce novamente. Para mim, isso comprova que fui gravado dentro da minha casa sem a minha autorização.”
Tiago relata que essas gravações teriam sido utilizadas posteriormente nos desdobramentos envolvendo os antigos sócios e que alguns registros incluiriam conversas particulares realizadas em sua residência, inclusive um diálogo com um policial americano.
O empresário também sustenta que a legislação da Flórida exige consentimento das pessoas envolvidas para gravações de conversas privadas. A alegação ainda não foi analisada pelo Poder Judiciário, e Helenn não apresentou manifestação sobre esse episódio à reportagem.
Direito de resposta
Durante a apuração desta reportagem, o repórter investigativo Thathyanno Desa entrou em contato com Helenn Chris e encaminhou questionamentos relacionados ao Immigrant Reality. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação e esclarecimentos, que podem ser encaminhados à redação pelo telefone +1 (617) 970-8850.
A reportagem ressalta que as informações atribuídas a Tiago Alves correspondem à versão apresentada por ele, com base no material fornecido pelo empresário. As alegações mencionadas não representam decisão judicial e poderão ser esclarecidas ou contestadas pelas partes competentes no curso de eventual processo.
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