Trump impõe tarifa sobre materiais de chips e energia solar para fortalecer produção dos EUA

Medida estabelece tarifa de 15% sobre derivados de polissilício e busca ampliar a produção americana em setores considerados estratégicos

O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (6) uma nova medida comercial voltada ao fortalecimento da indústria nacional de tecnologia e energia. A decisão do presidente Donald Trump estabelece uma tarifa de 15% sobre produtos derivados de polissilício e impõe valores mínimos para determinados materiais importados utilizados na fabricação de painéis solares e semicondutores.

A iniciativa tem como principal objetivo estimular a produção interna de uma matéria-prima considerada estratégica para setores como inteligência artificial, eletrônica avançada e geração de energia renovável. Segundo a administração americana, a dependência de fornecedores estrangeiros representa um desafio para a segurança econômica e industrial do país.

As novas regras foram adotadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, mecanismo que permite ao governo dos Estados Unidos restringir importações quando avalia que elas podem afetar áreas consideradas importantes para o interesse nacional. A previsão é que as medidas entrem em vigor em 4 de dezembro.

O centro da decisão é o polissilício, um material obtido por meio de processos de purificação do silício. Ele é utilizado como base para a fabricação de componentes fundamentais da indústria moderna, como as lâminas de silício usadas em chips e células responsáveis pelo funcionamento de painéis solares.

Com a nova política, o governo americano determinou que determinados produtos importados não poderão ser comercializados abaixo de valores mínimos estabelecidos. O polissilício terá como referência o preço de US$ 21 por quilograma, enquanto lingotes e lâminas produzidos a partir do material terão limite mínimo de US$ 100 por quilograma. Para o setor solar, os valores definidos são de US$ 0,22 por watt para células solares e US$ 0,38 por watt para módulos.

Além das tarifas e dos preços mínimos, a medida autoriza o Departamento de Comércio dos Estados Unidos a desenvolver programas de incentivo para empresas que decidirem investir na fabricação doméstica desses produtos.

“O plano de ação estabelecido nesta proclamação ajudará, entre outras medidas, a garantir a viabilidade comercial da produção de polissilício e de seus derivados nos Estados Unidos, necessária para atender às necessidades econômicas e de segurança nacional do país”, diz a Casa Branca.

A decisão acontece após anos de reclamações de fabricantes americanos contra concorrentes estrangeiros, principalmente da China. Empresas do setor afirmam que a competição internacional foi afetada por subsídios governamentais e estratégias comerciais que permitiriam a entrada de produtos a preços considerados desfavoráveis para a indústria americana.

Atualmente, os Estados Unidos possuem duas unidades de produção de polissilício. Uma delas fica em Michigan e é operada pela Hemlock Semiconductor, empresa formada por uma parceria entre a Corning e a japonesa Shin-Etsu Handotai. A outra pertence à alemã Wacker Chemie e está localizada no Tennessee.

“A decisão de hoje incentiva a continuidade dos investimentos na capacidade produtiva dos Estados Unidos e fortalece a competitividade do país no longo prazo”, afirmou um porta-voz da Corning.

A indústria solar americana vem crescendo desde a criação de incentivos fiscais pelo Congresso em 2022, mas grande parte da expansão ocorreu na etapa final de montagem dos painéis. Outras fases da cadeia produtiva, como a fabricação de wafers e células solares, ainda dependem de investimentos maiores e de maior prazo.

Com a nova medida, o governo Trump tenta ampliar a capacidade industrial dos Estados Unidos em áreas consideradas essenciais para a disputa tecnológica global, unindo políticas comerciais e incentivos à produção nacional.

Leia mais 

Trump assina novas regras sobre turismo de parto e cidadania por nascimento nos EUA

“Segredo”: a resposta de Alcolumbre após reunião com Lula na casa de Alexandre de Moraes

Justiça rejeita ação contra Bolsonaro e mantém direitos previstos a ex-presidente

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*