Moraes ameaça chamar testemunhas contra Mendonça, que reage: “Pode chamar quem quiser, vão mentir”

Confronto ocorreu durante a sessão plenária do STF que julgava a situação de Moraes e envolveu acusações sobre a atuação da Polícia Federal nas investigações do Banco Master
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O ministro André Mendonça reagiu nesta terça-feira (15) a acusações feitas por Alexandre de Moraes durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a possibilidade de investigação sobre a relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto do caso Banco Master. Em um dos momentos mais tensos do julgamento, Mendonça interrompeu as acusações do colega e afirmou categoricamente: “Isso é mentira”.

O confronto ocorreu quando Moraes defendia que os questionamentos envolvendo sua própria conduta e as acusações feitas contra Mendonça fossem analisados conjuntamente. O ministro afirmou que Mendonça teria pressionado a Polícia Federal e teria pedido a inclusão de seu nome em uma eventual colaboração premiada.

Moraes chegou a questionar: “Não há como julgar hoje [a situação de Moraes] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?”

Mendonça respondeu: “Não é questão de medo não”.

Na sequência, Moraes afirmou que não estava perguntando diretamente a Mendonça. O ministro, porém, rebateu: “Mas eu estou lhe respondendo”.

O tom aumentou quando Moraes acusou Mendonça de ter participado de uma articulação envolvendo a Polícia Federal.

“Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada. E vamos trazer aqui, presidente [Fachin], e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam isso’”, declarou Moraes.

A resposta de Mendonça foi imediata: “Isso é mentira”.

Moraes então sugeriu que as pessoas mencionadas fossem chamadas para depor. “Então vamos chamar as testemunhas. Vamos chamar?”, indagou.

Mendonça voltou a contestar a acusação: “Mentira, mentira”. Em seguida, acrescentou: “Podem chamar quem quiser, vão mentir”.

O embate continuou com Moraes insistindo na necessidade de reunir os dois casos no mesmo julgamento.

“Não há como julgar hoje sem julgar terça-feira [em referência a Mendonça]”, repetiu Moraes.

O ministro também acusou Mendonça de ter solicitado à Polícia Federal que incluísse seu nome em uma investigação e afirmou: “[Mendonça] chamou [a PF]: ‘Inclua o ministro Alexandre’. Por quê? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país. É isso, senhor presidente. É isso”.

Diante da acusação, Mendonça afirmou: “Ah, senhor presidente, eu não vou responder…”

Mendonça contesta acusações e mantém postura de confronto

O embate ocorre depois de Mendonça ter determinado o levantamento do sigilo de documentos relacionados ao caso Master, medida que trouxe ao conhecimento público informações presentes nos relatórios da Polícia Federal. O próprio andamento processual do STF registra despacho de Mendonça, de 1º de setembro, determinando o levantamento do sigilo dos autos.

Entre os elementos divulgados estão 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de informações sobre encontros entre os dois e sobre um contrato de R$ 130 milhões envolvendo o banco e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

Moraes passou a questionar a forma como os documentos foram disponibilizados e acusou Mendonça de ter feito uma liberação seletiva dos autos. Mendonça negou a acusação, sustentando que os dados mantidos sob sigilo envolviam informações que não poderiam ser divulgadas naquele momento, inclusive elementos relacionados a investigações em andamento e dados de terceiros.

A posição de Mendonça também aparece no próprio histórico processual do STF, que registra sua atuação como relator em diferentes etapas do caso e, posteriormente, o encaminhamento dos autos à Presidência após determinação de Edson Fachin.

O que está em análise no STF

O confronto entre os dois ministros ocorre justamente em uma sessão convocada para analisar a possibilidade de investigação sobre a conduta de Moraes diante das informações reunidas pela Polícia Federal. O julgamento foi levado ao Plenário sob a relatoria do presidente do STF, Edson Fachin.

A discussão sobre a condução das investigações ganhou ainda mais peso depois que a Polícia Federal disponibilizou cópias do acervo digital extraído do celular de Vorcaro aos gabinetes que solicitaram acesso.

Com a divisão dos processos, a situação envolvendo Moraes é analisada nesta terça-feira (15), enquanto as acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça ficaram previstas para uma sessão posterior.

O bate-boca desta terça-feira expôs, diante do Plenário, a dimensão do conflito entre os ministros. Mendonça, diante de acusações diretas, não recuou e respondeu publicamente que as afirmações feitas contra ele eram falsas, desafiando a apresentação de testemunhas e provas para sustentar as acusações.

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