PF rejeita segunda delação de Daniel Vorcaro e aponta falta de provas

Rejeição da proposta pode resultar na transferência do fundador do Banco Master para outra unidade prisional

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá analisar os próximos passos relacionados à situação do investigado.

De acordo com a avaliação dos investigadores, a nova proposta não apresentou informações inéditas nem elementos de prova capazes de contribuir de forma relevante para o avanço das investigações. O entendimento da corporação é que boa parte do conteúdo já era de conhecimento das autoridades ou poderia ser obtida a partir do material já reunido ao longo da apuração.

O que motivou a rejeição

Segundo fontes ligadas à investigação, a Polícia Federal concluiu que os anexos e documentos entregues pela defesa de Vorcaro não trouxeram fatos suficientemente novos nem provas que corroborassem os relatos apresentados.

Os investigadores já possuem acesso a um amplo conjunto de evidências, incluindo oito aparelhos celulares do banqueiro, mensagens, documentos e registros financeiros obtidos durante as diferentes fases da operação.

Diante desse cenário, a avaliação foi de que o material oferecido não agregaria informações capazes de abrir novas linhas de investigação.

Além disso, os relatórios produzidos pela Polícia Federal apontam que parte do conteúdo apresentado buscaria explicar relações e benefícios concedidos a agentes políticos, sem apresentar elementos concretos que permitissem comprovar crimes ou identificar novos envolvidos.

Possível mudança de cela

A rejeição da proposta pode ter impacto direto na situação prisional de Vorcaro.

Atualmente, o banqueiro está custodiado em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde possui acesso diário aos advogados. Entretanto, com o fracasso das negociações para um acordo de colaboração, essa condição poderá ser revista.

A decisão final caberá ao ministro André Mendonça, que poderá determinar a permanência do investigado na atual unidade ou autorizar sua transferência para outro local de custódia.

Entre as possibilidades analisadas estão:

• Transferência para uma cela comum da Polícia Federal;

• Encaminhamento ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”;

• Retorno à Penitenciária Federal de Brasília.

Histórico das negociações

Daniel Vorcaro foi levado inicialmente para o sistema penitenciário federal após sua segunda prisão, ocorrida em março deste ano.

Em maio, a primeira proposta de delação também foi rejeitada.

Alegações presentes na proposta

Informações que vieram a público indicam que a segunda proposta de colaboração mencionava supostas relações entre o banqueiro e figuras do meio político nacional.

Essas alegações não foram homologadas em acordo de delação premiada, não foram validadas pelas autoridades competentes e permanecem sem confirmação oficial.

Próximos passos

Com a rejeição da segunda proposta, o futuro de Daniel Vorcaro passa a depender das decisões que serão tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e pelos órgãos responsáveis pela investigação.

A principal conclusão da Polícia Federal é que o material apresentado por Vorcaro não trouxe informações novas nem provas suficientes para justificar um acordo de colaboração premiada.

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