Presidente dos Estados Unidos afirma que há “boas chances” de entendimento entre os dois países, enquanto Teerã nega ter solicitado diálogo e mantém posição de responder a novos ataques
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
Após cinco meses de confrontos entre Estados Unidos e Irã, uma possível abertura para negociações voltou a ganhar força nesta segunda-feira (27). O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou acreditar que existe uma oportunidade concreta para um acordo entre os dois países, depois que os ataques diretos permaneceram suspensos pelo segundo dia consecutivo.
Apesar do cenário de menor tensão, Trump deixou claro que a continuidade da pausa militar depende do sucesso das conversas em andamento. Segundo ele, caso não haja avanços diplomáticos, os bombardeios poderão ser retomados.
Durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, o presidente afirmou que as negociações já estão acontecendo.
“Estamos conversando agora”, disse Trump.
Na sequência, o republicano afirmou que o Irã teria demonstrado interesse em negociar em razão da intensidade das operações militares conduzidas pelos Estados Unidos.
“Acho que há uma boa chance de que algo aconteça, e se acontecer, ótimo, se não acontecer, voltamos a fazer o que estávamos fazendo há 2 dias”, declarou Trump.
Enquanto o governo norte-americano demonstra otimismo em relação a um possível entendimento, o Irã adota uma postura mais cautelosa. Uma autoridade iraniana afirmou que as forças do país permanecerão sem realizar novos ataques enquanto os Estados Unidos também mantiverem a suspensão dos bombardeios.
Segundo a autoridade, a estratégia iraniana continua baseada no princípio de “ataque por ataque”, indicando que qualquer nova ofensiva norte-americana deverá receber uma resposta proporcional.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, também negou que o país tenha procurado os Estados Unidos para iniciar negociações. De acordo com ele, as informações que apontam um pedido iraniano por diálogo não correspondem aos fatos.
“Isso não está em nosso DNA”, declarou Baghaei.
O porta-voz evitou comentar possíveis contatos diretos com Washington e afirmou que, neste momento, as conversas do governo iraniano estão concentradas em Omã, envolvendo questões relacionadas ao estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio internacional de petróleo.
Mesmo com a interrupção temporária dos ataques diretos entre Estados Unidos e Irã, a instabilidade no Oriente Médio continua elevada. Durante o fim de semana, os houthis do Iêmen, grupo aliado ao Irã, realizaram ataques contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita localizadas na costa do mar Vermelho.
No mesmo período, o governo iraniano acusou a Ucrânia de participar de uma ação contra um navio comercial iraniano que navegava pelo mar Cáspio, ampliando as tensões em diferentes frentes da região.
Além disso, o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã permanece em vigor. Como reflexo do cenário de insegurança, o fluxo de embarcações comerciais no estreito de Ormuz registrou, no domingo (26), o menor movimento das últimas três semanas, evidenciando os impactos do conflito sobre uma das principais rotas estratégicas para o abastecimento mundial de petróleo.
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