Líderes da oposição afirmam que só negociarão após a libertação de presos políticos e garantias para eleições livres
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Os principais líderes da oposição venezuelana, María Corina Machado e Edmundo González, anunciaram neste domingo (26) que não participarão das conversas iniciadas entre representantes da oposição e o governo interino comandado por Delcy Rodríguez, atual presidente interina da Venezuela.
A decisão foi divulgada em um comunicado publicado nas contas oficiais dos dois líderes na rede social X. No documento, eles afirmam que não participaram da criação, da estruturação nem da organização do novo mecanismo de diálogo, deixando claro que não assumem qualquer responsabilidade pelas negociações anunciadas pelo governo.
“Não participamos de sua concepção, estruturação ou operação e, portanto, não nos cabe explicar seu alcance ou suas decisões”, afirmaram María Corina e Edmundo González.
Os oposicionistas também cobraram transparência dos responsáveis pela iniciativa e defenderam que sejam apresentados os objetivos, os métodos e o cronograma das negociações.
Oposição impõe condições para negociar
Embora tenham recusado participar das conversas neste momento, María Corina e Edmundo González afirmaram que não serão obstáculos a iniciativas que possam gerar resultados concretos para a população venezuelana.
Segundo o comunicado, qualquer diálogo somente terá legitimidade caso produza avanços reais e verificáveis, entre eles:
• Restauração das instituições democráticas;
• Libertação de todos os presos políticos;
• Garantias para todas as partes envolvidas, sem exclusões;
• Definição de um cronograma para eleições presidenciais livres;
• Respeito integral à vontade popular expressa nas urnas.
Os líderes oposicionistas afirmaram que acompanharão atentamente qualquer iniciativa, mas reforçaram que somente apoiarão negociações que resultem em mudanças concretas para o país.
Canal de diálogo conta com apoio dos Estados Unidos
O novo canal de negociação foi anunciado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país após a queda do regime chavista.
O acordo conta com apoio do governo do presidente Donald Trump, que vem defendendo uma transição política na Venezuela e o fortalecimento das instituições democráticas. As conversas estão previstas para começar oficialmente em 1º de agosto.
Apesar do anúncio, María Corina e Edmundo González deixaram claro que não integrarão esse processo enquanto não houver garantias concretas de que as negociações resultarão em eleições livres e no restabelecimento da democracia venezuelana.
Edmundo González venceu as eleições, mas não assumiu
Edmundo González foi o candidato vencedor das eleições presidenciais realizadas em julho de 2024, segundo a oposição venezuelana e diversos governos internacionais.
Entretanto, o regime de Nicolás Maduro recusou reconhecer o resultado das urnas, enquanto o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo chavismo na época, declarou Maduro vencedor e impediu a posse do oposicionista.
Já María Corina Machado foi impedida de disputar a eleição após ser declarada inelegível pelo Supremo Tribunal de Justiça, também controlado pelo chavismo. Diante da decisão, ela declarou apoio à candidatura de González, que acabou vencendo a disputa, mas não assumiu o cargo.
Mudanças políticas após a queda de Maduro
Desde a saída de Nicolás Maduro do poder, o governo Donald Trump tem apoiado o processo de reorganização institucional da Venezuela.
Na última sexta-feira (24), Trump afirmou que houve avanços políticos importantes desde a mudança de governo, mas avaliou que o país ainda não reúne condições para realizar novas eleições presidenciais.
O presidente norte-americano também elogiou a atuação da presidente interina Delcy Rodríguez, afirmando que ela “tem feito um trabalho fantástico”, além de destacar a retomada da produção de petróleo venezuelano e o potencial econômico do país.
Apesar da abertura de um novo canal de diálogo, a principal liderança da oposição mantém a posição de que qualquer negociação deve priorizar a restauração da democracia, o respeito ao voto popular e a realização de eleições livres e transparentes, consideradas essenciais para consolidar a transição política na Venezuela.
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