Ataques, roubos e ameaças contra imigrantes intensificaram a crise no país. Mais de 160 mil estrangeiros já deixaram o território sul-africano desde março, em meio ao aumento da tensão social e das manifestações
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
A África do Sul enfrenta uma crescente onda de violência ligada a protestos contra a imigração, especialmente em comunidades da região de Joanesburgo. Nas últimas semanas, estrangeiros relataram agressões, invasões de residências, roubos e intimidações praticadas por grupos que exigem a saída de imigrantes do país.
Um dos locais mais afetados é Thembelihle, assentamento localizado ao sul de Joanesburgo, onde famílias vindas do Malawi afirmam viver sob constante medo. Entre os casos registrados está o de Eibraheem Hussein, de 60 anos, que foi agredido durante uma invasão à sua residência. Em outro episódio, diversas famílias malauianas tiveram suas casas saqueadas por criminosos que ordenaram que retornassem ao país de origem.
Os episódios ocorrem em meio ao fortalecimento de manifestações contra a imigração irregular. Grupos favoráveis ao endurecimento das políticas migratórias alegam que a presença de estrangeiros contribui para o aumento da criminalidade e da disputa por empregos, enquanto organizações de direitos humanos alertam para o crescimento da xenofobia e das violações contra comunidades imigrantes.
De acordo com dados oficiais reunidos pela AFP, mais de 160 mil estrangeiros deixaram a África do Sul desde março. Desse total, cerca de 54 mil foram deportados, enquanto milhares decidiram retornar voluntariamente aos seus países de origem diante da escalada da violência. Pelo menos quatro pessoas morreram durante os confrontos relacionados à crise.
Autoridades sul-africanas acompanham a situação e reforçaram o monitoramento em áreas mais afetadas, enquanto entidades internacionais manifestam preocupação com a segurança dos imigrantes e pedem medidas para conter os ataques. A expectativa é de que o governo intensifique ações para restaurar a ordem e garantir a proteção das comunidades atingidas.
A crise evidencia os desafios enfrentados pela África do Sul no equilíbrio entre segurança pública, política migratória e proteção dos direitos humanos. Enquanto as autoridades buscam conter a escalada da violência, milhares de imigrantes seguem vivendo em situação de vulnerabilidade, à espera de medidas que garantam sua segurança e restabeleçam a ordem nas regiões afetadas.
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