Polícia afirma que execução teria sido suspensa após ressarcimento de valores ligados a esquema sob apuração
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso nesta quinta-feira (25) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, o parlamentar é citado em um contexto de apuração que envolve uma possível estrutura criminosa voltada à movimentação de recursos ilícitos por meio de empresas do setor de transporte coletivo.
Esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 200 milhões
De acordo com o Ministério Público, a empresa Transunião seria um dos principais eixos da investigação. A apuração indica que o grupo utilizaria a concessionária como meio para circular valores e ocultar a origem do dinheiro atribuído à facção criminosa.
Durante a operação, foram cumpridos mais de cem mandados de busca e apreensão em São Paulo, na Grande São Paulo e em Minas Gerais. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 200 milhões em bens, veículos, imóveis e embarcações ligados aos investigados.
Investigação aponta possível influência do PCC no setor de transporte
Segundo as autoridades, o caso revela indícios de que o crime organizado pode ter atuado além do tráfico de drogas, avançando sobre o setor de transporte público e empresas de concessão.
A investigação aponta que integrantes da facção poderiam ter influência sobre decisões internas da empresa, incluindo movimentação financeira e direcionamento de recursos.
Esse tipo de atuação, segundo investigadores, seria uma estratégia comum de organizações criminosas para infiltrar capital em atividades formais e dificultar o rastreamento do dinheiro ilícito.
Delegado afirma que vereador teria sido ameaçado por facção criminosa
Durante coletiva, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), Roma C. Sayeg, afirmou que, segundo os elementos colhidos na investigação, o vereador teria sido alvo de ameaça de morte por integrantes da facção.
Ainda conforme a autoridade policial, a execução teria sido suspensa após a devolução de valores relacionados ao esquema investigado. Essa informação, segundo ele, faz parte do conjunto de apurações em andamento.
Origem da investigação envolve assassinato em 2020
A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da empresa Transunião, ocorrido em 2020 em uma padaria na zona leste de São Paulo.
Segundo o Ministério Público, o crime teria sido um ponto de partida para identificar possíveis irregularidades financeiras e conexões entre agentes ligados à empresa e integrantes da facção criminosa.
A partir desse homicídio, os investigadores passaram a aprofundar o rastreamento de movimentações financeiras suspeitas e possíveis vínculos entre pessoas ligadas à concessionária e o crime organizado.
Outros investigados e defesa negam irregularidades
Além de Senival Moura, outros nomes também são citados na investigação, incluindo pessoas ligadas à administração da empresa e supostos intermediários apontados pelas autoridades.
A defesa do vereador negou qualquer envolvimento com atividades criminosas.
Impacto investigado aponta possível infiltração do crime organizado em serviços públicos
De acordo com a linha de investigação apresentada pelas autoridades, o principal impacto do caso seria a possível utilização de estruturas empresariais do setor de transporte para lavagem de dinheiro e circulação de recursos do crime organizado.
Se confirmadas as suspeitas, o esquema pode indicar um nível de sofisticação financeira em que organizações criminosas utilizam contratos, concessões e empresas formais como parte da sua estrutura econômica, ampliando sua atuação para além das atividades ilícitas tradicionais.
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