Artilheiro dos Estados Unidos teve suspensão por cartão vermelho colocada em período probatório e poderá enfrentar a Bélgica; entidade europeia afirma que Fifa “cruzou uma linha vermelha” e critica precedente criado na Copa do Mundo
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
A decisão da Fifa de suspender a punição automática imposta ao atacante Folarin Balogun provocou forte repercussão às vésperas das oitavas de final da Copa do Mundo.
Artilheiro da seleção dos Estados Unidos no torneio, o jogador está liberado para enfrentar a Bélgica nesta segunda-feira (6), apesar de ter sido expulso na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina.
Balogun recebeu cartão vermelho aos 64 minutos da partida, após revisão do VAR conduzida pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, que identificou um pisão do atacante no tornozelo do defensor Tarik Muharemovic. Pela regra, a expulsão resultaria em suspensão automática de um jogo.
No entanto, a Comissão Disciplinar da Fifa aplicou o artigo 27 do Código Disciplinar da entidade e decidiu suspender os efeitos da punição por um período probatório de um ano. Com isso, o atacante poderá disputar as oitavas de final e só cumprirá a suspensão caso volte a cometer uma infração semelhante dentro dos próximos 12 meses.
A medida surpreendeu dirigentes e especialistas, já que a suspensão automática por cartão vermelho costuma ser aplicada sem possibilidade de recurso durante a competição. A própria Fifa havia sinalizado anteriormente que a punição seria mantida.
Uefa critica decisão e fala em risco à credibilidade
A liberação de Balogun provocou reação imediata da Uefa. Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, a entidade europeia afirmou que a Fifa “cruzou uma linha vermelha” ao abrir uma exceção para um caso de suspensão automática.
Segundo a Uefa, a medida cria um precedente perigoso para o restante da Copa do Mundo e compromete o princípio da igualdade esportiva.
A entidade argumenta que a suspensão mínima após um cartão vermelho é uma regra objetiva, sem margem para interpretação, e lembra que outros atletas expulsos ao longo do torneio cumpriram normalmente suas punições.
Na avaliação da confederação europeia, flexibilizar a regra durante a competição coloca em risco a integridade do torneio e pode gerar questionamentos sobre futuras decisões disciplinares.
Trump comemora decisão
A decisão também repercutiu no cenário político dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump comemorou a liberação do atacante em publicação nas redes sociais.
“Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça”, escreveu.
A Casa Branca também compartilhou a mensagem, reforçando o apoio à decisão que garantiu a presença do principal atacante americano nas oitavas.
Artilheiro vive grande fase
Aos 24 anos, Balogun é um dos destaques da campanha dos Estados Unidos na Copa do Mundo. O atacante soma três gols e três assistências em três partidas, números que o colocam entre os jogadores mais decisivos da competição.
Nascido em Nova York, filho de pais nigerianos e criado na Inglaterra, Balogun poderia defender três seleções diferentes antes de optar pelos Estados Unidos em 2023. Revelado pelo Arsenal e atualmente no Monaco, o camisa 20 busca ajudar os americanos a alcançar as quartas de final do Mundial pela primeira vez desde 2002.
A partida entre Estados Unidos e Bélgica será disputada nesta segunda-feira (6), em Seattle. A decisão da Fifa, entretanto, já se tornou um dos assuntos mais controversos da Copa, dividindo dirigentes, especialistas e torcedores sobre a aplicação das regras disciplinares no torneio.
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