Mais de 2 mil casos e 700 mortes já foram registrados; autoridades internacionais afirmam que a maioria das novas infecções ocorre por cadeias de transmissão ainda desconhecidas
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um novo alerta sobre a rápida escalada do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), classificando o atual cenário como o de crescimento mais acelerado já observado pela entidade em um surto da doença. Com mais de 2 mil casos confirmados, mais de 700 mortes e transmissão ativa em cinco províncias, especialistas afirmam que a circulação do vírus está sendo impulsionada por cadeias de contágio ainda não identificadas, dificultando o controle da emergência sanitária.
Surto já é o terceiro maior da história do país
A República Democrática do Congo enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história recente no combate ao ebola. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o atual surto já se tornou o terceiro maior registrado no país, tanto em número de infectados quanto de vítimas fatais.
Os dados divulgados pela agência das Nações Unidas mostram que:
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mais de 2.000 casos confirmados;
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mais de 700 mortes;
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transmissão ativa em cinco províncias;
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epicentro localizado na província de Ituri.
A situação levou equipes internacionais de resposta rápida a reforçarem as operações de vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos e atendimento médico nas regiões afetadas.
Crescimento é o mais acelerado já observado pela OMS
Após retornar de Bunia, cidade localizada na província de Ituri, o diretor do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Dr. Chikwe Ihekweazu, descreveu o cenário como extremamente preocupante.
Segundo ele, a variante Bundibugyo do vírus Ebola está apresentando um ritmo de disseminação sem precedentes.
De acordo com o especialista, o número de novas infecções registrado em apenas um mês representa o crescimento mais rápido observado desde que a OMS passou a monitorar surtos da doença.
Nos últimos dias, as equipes em campo chegaram a confirmar mais de 80 novos casos em apenas 24 horas, um dos maiores aumentos diários já documentados durante uma epidemia de ebola.
Maioria dos novos casos não estava sendo monitorada
O aspecto que mais preocupa os especialistas não é apenas o aumento das infecções, mas a dificuldade em localizar sua origem.
A OMS informou que aproximadamente 80% das novas infecções ocorreram em pessoas que não estavam nas listas de monitoramento de contatos.
Isso significa que muitas transmissões estão acontecendo por meio de cadeias desconhecidas, tornando muito mais difícil interromper a circulação do vírus.
Segundo Ihekweazu, essa característica indica que existem focos ocultos da doença espalhados pelas comunidades.
Mortes acontecem antes mesmo do atendimento médico
Outro dado considerado alarmante é que diversas vítimas morreram sem sequer procurar atendimento hospitalar.
Muitas pessoas faleceram em suas próprias comunidades antes de serem diagnosticadas ou encaminhadas para centros especializados.
Esse cenário reduz significativamente a capacidade das autoridades de identificar rapidamente novos casos e rastrear pessoas que tiveram contato com os pacientes infectados.
OMS compara situação a um incêndio
Durante entrevista coletiva em Genebra, Ihekweazu utilizou uma comparação para explicar a gravidade da situação.
Segundo ele, o surto se comporta como um incêndio.
Enquanto equipes combatem as chamas nas áreas já conhecidas, novas frentes continuam surgindo porque ainda existe um foco principal alimentando continuamente a transmissão.
A organização acredita que controlar o epicentro em Ituri será fundamental para impedir que o vírus continue alcançando novas regiões.
Vírus já chegou a novas províncias
Embora cerca de 95% dos novos casos ainda estejam concentrados em Ituri, a doença já foi identificada em outras áreas do país.
Recentemente, o vírus chegou às províncias de:
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Haut-Uele;
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Tshopo.
Esse avanço aumenta o risco de disseminação para regiões com menor capacidade de atendimento médico e dificulta o trabalho das equipes de vigilância epidemiológica.
Número real de infectados pode ser muito maior
Outro fator de preocupação é a possibilidade de subnotificação.
Modelagens matemáticas realizadas pela OMS indicam que o número verdadeiro de pessoas infectadas pode ser duas a quatro vezes superior aos registros oficiais.
Isso ocorre porque muitos pacientes permanecem sem diagnóstico ou vivem em áreas de difícil acesso.
Ainda não existe tratamento aprovado para essa variante
O atual surto é provocado pela variante Bundibugyo, uma cepa do vírus Ebola para a qual ainda não existe tratamento específico aprovado.
Diversos medicamentos experimentais continuam sendo avaliados em estudos clínicos.
Mesmo sem um tratamento definitivo, especialistas destacam que o atendimento precoce aumenta significativamente as chances de sobrevivência.
Os pacientes recebem suporte intensivo com hidratação, controle de sintomas e tratamento de complicações.
Comunidades são essenciais para conter o avanço
Além do desafio médico, a OMS enfrenta obstáculos relacionados à desinformação e à desconfiança de parte da população.
Nos últimos meses, foram registrados ataques contra profissionais de saúde e instalações utilizadas na resposta ao surto.
Para reduzir a resistência das comunidades, a organização afirma que mantém diálogo constante com lideranças locais antes da abertura de novos centros de tratamento.
Segundo a OMS, envolver moradores nas ações de resposta aumenta a confiança da população e facilita a identificação precoce de novos casos.
O que é o ebola?
O ebola é uma doença viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus. A transmissão ocorre pelo contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou de animais contaminados.
Entre os principais sintomas estão:
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febre alta;
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dor de cabeça intensa;
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dores musculares;
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fraqueza;
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vômitos;
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diarreia;
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dor abdominal;
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sangramentos em alguns casos.
A doença pode apresentar alta taxa de letalidade, especialmente quando o tratamento não é iniciado rapidamente.
OMS reforça vigilância internacional
Embora o surto permaneça concentrado na República Democrática do Congo, a OMS continua monitorando o risco de propagação para países vizinhos e reforçando ações de vigilância nas fronteiras.
Especialistas destacam que a resposta rápida, o rastreamento de contatos, o isolamento dos pacientes e o fortalecimento dos sistemas de saúde continuam sendo as principais ferramentas para conter a epidemia.
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