Justiça mantém preso “Mancha”, apontado como integrante de esquema de tráfico ligado às duas maiores facções criminosas do país
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (22) que obteve uma nova prisão preventiva de Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como “Mancha”, investigado por integrar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas e apontado como um dos principais operadores de uma rede ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
A medida foi decretada pela 3ª Vara Criminal da Justiça Federal no Pará e garante que o investigado permaneça preso enquanto responde às acusações relacionadas à Operação Euterpe, investigação que apura o envio de grandes carregamentos de cocaína para a Europa.
A nova ordem judicial foi solicitada pela Polícia Federal após mudanças na situação processual do investigado. No início de julho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou uma das prisões preventivas de Douglas, substituindo-a por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Mesmo com essa decisão, Mancha permaneceu preso em razão de outro mandado expedido pela Justiça de Minas Gerais. Diante da possibilidade de alteração em sua situação jurídica, a PF representou novamente pela prisão preventiva no âmbito da Operação Euterpe, pedido que foi acolhido pela Justiça Federal.
Na terça-feira (21), foi expedido um novo mandado de prisão preventiva pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico, assegurando que o investigado continue recolhido ao sistema prisional durante o andamento das investigações e da ação penal.
Investigação aponta envio de cocaína para Portugal
Segundo a Polícia Federal, Douglas de Azevedo Carvalho é investigado por integrar um esquema responsável pelo envio de 320 quilos de cocaína escondidos em uma carga de açaí destinada a Portugal.
As investigações apontam que a organização utilizava cargas de exportação para ocultar grandes quantidades de entorpecentes, abastecendo o mercado europeu. Além do tráfico internacional de drogas, o investigado também responde por suspeitas de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
A Operação Euterpe integra um conjunto de ações da Polícia Federal voltadas ao combate às rotas internacionais do narcotráfico e à desarticulação de grupos criminosos que atuam dentro e fora do Brasil.
Prisão ocorreu na Bolívia
Douglas de Azevedo Carvalho foi preso em 15 de março de 2026, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde estava foragido da Justiça brasileira.
Dois dias depois, ele foi transferido para o Brasil em uma aeronave da Polícia Federal e encaminhado ao sistema prisional de Minas Gerais.
Conhecido como “Mancha”, o investigado figurava entre os alvos prioritários do Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, destinado à localização e prisão de criminosos considerados de alta periculosidade.
Histórico de fuga
De acordo com a Polícia Federal, Douglas rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava enquanto cumpria prisão domiciliar, em julho de 2024, e fugiu para a Bolívia, passando a ser considerado foragido da Justiça.
Esse histórico foi um dos principais fundamentos utilizados para justificar a necessidade de manutenção da prisão preventiva, diante do risco de nova fuga e da possibilidade de interferência nas investigações.
Mudanças na situação processual
Nas últimas semanas, a situação jurídica de Mancha passou por diversas alterações.
Após o STJ substituir uma das prisões preventivas por medidas cautelares, a Justiça de Minas Gerais decretou sua prisão temporária em um inquérito que investiga o homicídio de Paulo Roberto Ziviani Rodrigues.
Posteriormente, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), restabeleceu a prisão preventiva do investigado no processo relacionado ao tráfico internacional de drogas, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na decisão, Fachin destacou a gravidade concreta dos crimes, o risco à ordem pública e o histórico de descumprimento de medidas judiciais, citando o rompimento da tornozeleira eletrônica e a fuga para o exterior.
Líder de organização criminosa
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Douglas de Azevedo Carvalho é apontado como fundador e principal líder da organização criminosa Tropa do Douglas, investigada por atuar no tráfico interestadual e transnacional de drogas.
As investigações indicam ainda que o grupo mantinha vínculos operacionais com integrantes do PCC e do Comando Vermelho, utilizando uma estrutura voltada ao envio de grandes carregamentos de cocaína para outros países.
Com a nova decisão da Justiça Federal, Douglas permanecerá preso enquanto responde aos processos em andamento, e a Polícia Federal dará continuidade às investigações para identificar outros integrantes da organização criminosa e desarticular sua rede de atuação no Brasil e no exterior.
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