Tarifaço dos EUA amplia pressão pela volta da “taxa das blusinhas” no Congresso

Empresários defendem retomada da cobrança sobre compras internacionais e buscam apoio de parlamentares após novas tarifas americanas
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O novo cenário de tarifas comerciais anunciado pelos Estados Unidos aumentou a pressão de empresários brasileiros pela revisão da chamada MP das blusinhas”, medida que alterou a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

A medida, que entrou em vigor em maio, eliminou a cobrança de 20% do imposto de importação para essas compras e passou a ser alvo de críticas de setores produtivos, principalmente da indústria têxtil, que afirma enfrentar uma concorrência desigual com produtos estrangeiros.

Segundo representantes do setor, a redução da tributação sobre remessas internacionais criou uma diferença entre empresas brasileiras e vendedores de fora do país. Para a indústria, o problema se agravou após o anúncio de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Dados apresentados pelo setor apontam que as importações de pequeno valor tiveram crescimento de cerca de R$ 2,6 bilhões em julho após a entrada em vigor da medida, aumentando a preocupação de empresas nacionais que competem com produtos importados.

Empresários pressionam Congresso por mudanças

Com a volta das atividades legislativas, empresários devem intensificar a articulação junto ao Congresso Nacional para tentar alterar a medida provisória. Entre as propostas defendidas estão a retomada total ou parcial da cobrança sobre compras internacionais ou a criação de mecanismos de compensação para a indústria brasileira.

O setor produtivo avalia que as empresas enfrentam uma espécie de “duplo impacto”: de um lado, a entrada de produtos importados com menor carga tributária; de outro, os efeitos das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A sobretaxa americana anunciada recentemente, de 12,5%, passou a ser mais um argumento usado por empresários para defender mudanças na política de importações. Em alguns segmentos, a nova tarifa poderá se somar a outras cobranças já aplicadas pelos Estados Unidos.

As medidas americanas estão relacionadas a uma investigação comercial baseada na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos, envolvendo acusações sobre falhas no combate à entrada de produtos fabricados com uso de trabalho forçado.

Setor têxtil busca alternativas além da tributação

A indústria têxtil, um dos setores mais afetados pela mudança na tributação das compras internacionais, também passou a defender medidas de apoio interno.

Entre as propostas está um projeto que permitiria a devolução de tributos incidentes sobre compras de roupas e artigos de cama, mesa e banho para famílias de baixa renda.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) defende a redução da carga tributária sobre empresas nacionais ou a retomada da cobrança sobre remessas internacionais.

“Trabalhamos com a redução [da carga da indústria] e/ou com a volta da taxação [das remessas internacionais]”, afirmou Fernando Pimentel, superintendente da entidade.

Segundo ele, o atual modelo cria uma diferença de tratamento entre empresas brasileiras e produtos importados.

“Essa desigualdade regulatória e tributária conta com muito apoio de vários parlamentares no Congresso”, declarou.

Minas Gerais entra no debate

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também deve se posicionar pela retomada da tributação. A entidade argumenta que a produção têxtil mineira sofre impactos com a entrada de produtos estrangeiros sem a mesma carga de impostos aplicada aos fabricantes nacionais.

O setor pretende defender no Congresso o princípio de igualdade tributária entre empresas brasileiras e concorrentes internacionais.

Governo mantém posição sobre a medida

A medida provisória precisa ser analisada pelo Congresso até 8 de setembro. Caso não seja votada dentro do prazo, perderá validade no dia seguinte.

O calendário aumenta a pressão política sobre o tema, já que a votação ocorrerá em um período próximo ao primeiro turno das eleições.

O governo federal, por sua vez, já indicou que não pretende recuar da decisão tomada ao editar a medida provisória, defendendo a manutenção da política adotada.

O embate coloca de um lado empresários que pedem proteção à indústria nacional e, de outro, consumidores que se beneficiam dos preços mais baixos em compras internacionais. A decisão final ficará nas mãos dos parlamentares durante a análise da medida no Congresso.

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