Trump usa boné de candidato para 2028 e brinca: “Ganhei três vezes e ganharei de novo”

Presidente participou de jantar na Casa Branca, relembrou o atentado de abril e voltou a movimentar o cenário político

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ser o centro das atenções nesta sexta-feira (24) ao participar do tradicional jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca. Durante um discurso de mais de 70 minutos, o republicano alternou momentos de descontração, críticas à imprensa, referências ao atentado sofrido em abril e brincadeiras sobre um eventual novo mandato presidencial.

O momento de maior repercussão da noite ocorreu quando Trump colocou um boné com a inscrição “Trump 2028” e, em tom de humor, declarou:

“Quero anunciar minha intenção de concorrer a um quarto mandato como presidente. Ganhei três vezes e ganharei de novo.”

A declaração arrancou risos da plateia e foi interpretada pelos presentes como mais uma das brincadeiras recorrentes do presidente. O comentário também faz referência às críticas de Trump ao resultado da eleição presidencial de 2020, que ele continua contestando.

Constituição limita mandatos presidenciais

Embora o gesto tenha gerado ampla repercussão política e nas redes sociais, a 22ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos estabelece que um presidente não pode ser eleito mais de duas vezes para o cargo.

Diferentemente do sistema brasileiro, que permite a volta de um ex-presidente após um intervalo de mandato, a legislação americana impede uma nova candidatura após dois mandatos conquistados nas urnas.

Mesmo assim, Trump voltou a mencionar que frequentemente recebe manifestações de apoio de eleitores que desejam sua permanência na liderança do movimento conservador. O presidente também citou o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio como nomes capazes de dar continuidade ao projeto político republicano.

Retorno após tentativa de assassinato

O jantar deste ano marcou ainda o retorno de Trump ao evento após a tentativa de assassinato registrada em abril, episódio que interrompeu a cerimônia original e levou à reformulação completa do esquema de segurança.

Por causa do atentado, o evento foi transferido do tradicional Washington Hilton para o Hotel Waldorf Astoria, em Washington.

Na ocasião, um homem identificado como Cole Allen tentou invadir o salão onde o presidente participava da cerimônia. Houve troca de tiros com agentes do Serviço Secreto, obrigando a retirada imediata de Trump do local.

Durante a ação, o agente Victor Gonzales ficou ferido e foi homenageado na cerimônia desta sexta-feira.

Ao recordar o episódio, Trump afirmou:

“A tentativa de assassinato no Hilton foi um ataque à nossa democracia.”

Segundo o presidente, o suspeito havia reservado um quarto no hotel para tentar driblar os protocolos de segurança.

Segurança reforçada

Após o atentado, o número de convidados foi reduzido de aproximadamente 2.600 para cerca de 700 pessoas. O acesso ao evento passou a exigir códigos QR individuais e um esquema reforçado do Serviço Secreto.

Mesmo diante do forte aparato de segurança, Trump manteve o tom descontraído durante boa parte do discurso.

Em uma das brincadeiras da noite, afirmou que o salão reunia “a maior concentração de pessoas com síndrome de transtorno de Trump”, expressão frequentemente utilizada por seus apoiadores ao comentar críticas recorrentes dirigidas ao presidente.

Também fez uma piada sobre sua proteção pessoal.

“Não foi fácil encontrar sapatos que combinassem com o colete à prova de balas.”

A presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Jacqui Heinrich, destacou a importância da Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de imprensa.

“Quando fazemos perguntas, o senhor responde. O senhor nos dá respostas e nós respondemos. O senhor sempre foi um homem de acordos. Bem, esse é o acordo. A Primeira Emenda é um acordo selado.”

Embora o boné “Trump 2028” tenha sido apresentado em tom de brincadeira, o gesto repercutiu amplamente e voltou a colocar Donald Trump no centro do debate político e da cobertura da imprensa internacional, reafirmando sua capacidade de atrair atenção pública mesmo em eventos tradicionalmente voltados ao relacionamento entre a Presidência e os veículos de comunicação.

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