Trump afirma que predominância dos EUA nas Américas “nunca mais será questionada”

Declaração acompanha retomada da Doutrina Monroe pelo Departamento de Estado e reforça a prioridade de Washington sobre o Hemisfério Ocidental
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (11) um vídeo oficial que reforça a posição estratégica de Washington no Hemisfério Ocidental e recupera a Doutrina Monroe como referência para sua política externa nas Américas. O material apresenta a predominância americana na região como um princípio que, segundo o governo, não deverá voltar a ser colocado em dúvida.

A orientação também relaciona a atuação dos Estados Unidos no continente ao combate ao tráfico de drogas, à imigração irregular e às organizações criminosas transnacionais. A política apresentada por Washington, no entanto, inclui ainda interesses econômicos e estratégicos, especialmente diante da presença crescente de potências externas na região.

A Doutrina Monroe foi formulada em 1823, durante o governo do presidente James Monroe, em oposição a novas iniciativas de colonização e intervenção de potências europeias no continente americano. Ao longo da história, o princípio passou a ser associado à defesa dos interesses estratégicos dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.

O vídeo divulgado pelo Departamento de Estado recupera episódios históricos relacionados à aplicação da doutrina, entre eles a crise dos mísseis em Cuba, em 1962, e medidas adotadas durante o governo de Ronald Reagan na América Latina.

Na atual política externa americana, a estratégia é apresentada de forma ampliada. Conforme a orientação de segurança nacional do governo, os Estados Unidos devem evitar que países de fora do Hemisfério Ocidental obtenham controle ou influência sobre ativos considerados estratégicos para a segurança e os interesses americanos.

A posição também foi reforçada pelo presidente Donald Trump ao abordar a atuação dos Estados Unidos nas Américas. Em declaração relacionada à política para o continente, Trump afirmou: “A predominância americana no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionada.”

A divulgação do material ocorre em um cenário de crescente competição internacional pela influência política e econômica na América Latina. A China ocupa espaço relevante nesse contexto por meio de relações comerciais, investimentos e projetos de infraestrutura em diferentes países da região.

Brasil e Estados Unidos também vivem um período de divergências diplomáticas e comerciais. O governo brasileiro levou à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma contestação contra tarifas impostas por Washington, enquanto a China solicitou participação nas consultas abertas pelo Brasil.

A participação chinesa acrescenta uma dimensão geopolítica ao processo comercial e ocorre em meio à disputa mais ampla entre Washington e Pequim por influência econômica e estratégica no continente.

Em depoimento anterior ao Congresso americano, uma autoridade do Departamento de Estado já havia indicado que o Hemisfério Ocidental havia voltado a ocupar posição prioritária na política externa dos Estados Unidos.

A nova manifestação oficial reforça essa orientação e sinaliza que Washington pretende manter as Américas como uma das principais áreas de interesse de sua política externa. A retomada da Doutrina Monroe ocorre, assim, em um cenário marcado por disputas comerciais, questões de segurança e competição entre grandes potências pela influência na região.

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