Levantamento do MapBiomas mostra que a cobertura de vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território brasileiro em 41 anos; perda aumenta a exposição do país a secas, enchentes e incêndios associados ao El Niño
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
O Brasil perdeu, nas últimas quatro décadas, uma área de vegetação nativa equivalente a duas vezes o território da França. O dado faz parte da nova edição do levantamento do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12), e revela uma transformação significativa da paisagem brasileira entre 1985 e 2025.
De acordo com o estudo, a vegetação nativa ocupava 79% do território nacional em 1985. Quatro décadas depois, esse percentual caiu para 65%. No mesmo período, a área destinada à agropecuária avançou de 18% para 32% do território brasileiro.
Além da perda ambiental, os pesquisadores alertam para uma consequência que pode atingir diretamente a população: a redução da vegetação deixa o país mais vulnerável aos efeitos de eventos climáticos extremos, especialmente durante períodos de El Niño.
O levantamento analisou episódios anteriores do fenômeno e identificou que áreas que mantiveram sua cobertura natural sofreram menos impactos. Entre os eventos observados estão os El Niños de 1997/98, 2015/16 e 2023/24, associados a períodos de seca e chuvas intensas em diferentes regiões.
Amazônia e Cerrado concentram grandes perdas
A Amazônia e o Cerrado estão entre os biomas que mais perderam vegetação nativa. Na Amazônia, a redução chegou a 53,9 milhões de hectares entre 1985 e 2025, enquanto o Cerrado perdeu cerca de 51,7 milhões de hectares.
Os efeitos também aparecem no comportamento das chuvas. Durante o El Niño de 2023/24, áreas de agropecuária na Amazônia registraram redução de aproximadamente 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.
O cenário preocupa porque a vegetação nativa desempenha um papel importante na regulação do clima, na manutenção dos recursos hídricos e na proteção dos solos. Com menos áreas naturais, aumenta a exposição do território brasileiro a períodos de seca, temporais, incêndios e outros eventos extremos.
O levantamento reforça, portanto, que a transformação da paisagem brasileira não representa apenas uma questão ambiental: ela também pode ter consequências para a agricultura, o abastecimento de água e a população que vive em regiões mais suscetíveis aos extremos climáticos.
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