Trump exige indenização do Irã por mortos e feridos em ataques

Presidente americano também cita o atentado contra o USS Cole, atribuído à Al Qaeda, que matou 17 marinheiros dos EUA em 2000

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (10) que o Irã deverá pagar indenizações pelas pessoas que foram mortas ou gravemente feridas em decorrência de ações atribuídas ao regime iraniano. A declaração foi uma resposta às exigências apresentadas por Teerã para a retomada da navegação pelo estreito de Ormuz.

No fim de semana, o governo iraniano afirmou estar próximo de fechar um acordo com Omã para estabelecer novas rotas marítimas entre os dois países pelo estreito. A reabertura da importante passagem, porém, estaria condicionada ao cumprimento de exigências por parte dos Estados Unidos.

Entre as condições apresentadas por Teerã estão o pagamento de indenizações pelos danos provocados pelos ataques dos EUA e de Israel, o fim das sanções econômicas e a suspensão das ameaças militares americanas.

Em resposta, o presidente americano afirmou que o Irã também deveria ser responsabilizado pelas vítimas de suas ações.

“É uma ideia interessante, porque agora estou, da mesma forma, exigindo indenização do Irã por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente com suas bombas e em muitos conflitos”, escreveu Trump no Truth Social.

USS Cole entra na cobrança

Além dos conflitos mais recentes, o republicano mencionou episódios anteriores envolvendo vítimas americanas.

Entre os casos citados está o atentado contra o USS Cole, contratorpedeiro de mísseis guiados da Marinha dos Estados Unidos, ocorrido em outubro de 2000, em um porto do Iêmen.

O ataque matou 17 marinheiros americanos e deixou mais de 30 feridos. O FBI atribuiu o atentado à organização terrorista Al Qaeda.

Ao mencionar o episódio, Trump incluiu as vítimas americanas entre os casos pelos quais considera que o Irã deveria responder financeiramente.

Repressão aos protestos também é citada

O presidente americano também afirmou que Teerã deveria pagar indenizações às famílias de milhares de pessoas vítimas dos protestos antigovernamentais ocorridos no Irã em janeiro.

As manifestações representaram uma das maiores ondas de agitação interna no país desde a Revolução Islâmica de 1979.

A repressão aos protestos aumentou a pressão internacional sobre o regime iraniano e colocou novamente no centro das discussões a situação dos direitos humanos no país.

Para Washington, a questão das vítimas não deve ser limitada aos danos provocados pelos ataques americanos e israelenses citados pelo governo iraniano. A administração Trump também cobra que Teerã responda pelas mortes e pelos ferimentos associados às suas próprias ações.

Estreito de Ormuz é ponto estratégico

O confronto diplomático ocorre em torno do estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo.

Localizado entre o Irã e Omã, o estreito é utilizado diariamente por navios responsáveis pelo transporte de grandes volumes de petróleo e outros produtos energéticos. Qualquer restrição à navegação na região pode provocar impactos no comércio internacional e aumentar a preocupação com os preços da energia.

Por isso, a possibilidade de uma reabertura da passagem é acompanhada de perto por governos e mercados internacionais.

Omã participa das negociações por manter relações com os dois lados e já exercer papel diplomático em questões envolvendo Washington e Teerã.

Exigências colocam negociações em novo impasse

As condições apresentadas pelo Irã e a resposta americana ampliam a complexidade das negociações.

Teerã pretende obter compensações pelos danos sofridos e exige mudanças na política americana de sanções e ameaças militares. Washington, por sua vez, apresenta uma lista própria de vítimas e cobra que o regime iraniano assuma responsabilidade por mortes e ferimentos atribuídos às suas ações.

A disputa mostra que a questão do estreito de Ormuz está diretamente ligada ao confronto político e militar entre os dois países.

Enquanto as negociações avançam por meio de canais diplomáticos envolvendo Omã, permanece a pressão para que as partes encontrem uma solução que permita a retomada segura da navegação.

A declaração desta segunda-feira acrescenta uma nova dimensão ao impasse: além das questões militares, econômicas e estratégicas, os dois governos passaram a discutir também possíveis indenizações pelas vítimas de conflitos e ataques.

O futuro da navegação pelo estreito de Ormuz dependerá, portanto, da evolução dessas negociações e da capacidade de Washington e Teerã de superar as exigências apresentadas por ambos os lados.

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